| Fotos: Samantha Ciuffa |
| Falta de infraestrutura e descaso da própria população são apontados como responsáveis pelo acúmulo em vias públicas e terrenos |
| O lixo se acumula na vicinal da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília), no Fortunato; na outra foto, embalagens espalhadas na sarjeta da quadra 2 da rua José Bombini, na Vila São Paulo |
Mesmo com toda a prevenção que deveria ser feita para afastar os perigos trazidos pelo Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus, a população ainda convive com lixo, garrafas, latas, copos plásticos, pneus... verdadeiros depósitos de larvas a céu aberto que se espalham pela cidade.
Na voz dos próprios moradores, a população tem uma parcela significativa neste cenário, já que parte dela ainda tem dificuldade de lidar com o próprio lixo. Muitos procuram a imprensa para denunciar o descaso. O WhatsApp do JC recebe diariamente mensagens com textos e imagens.
Nivaldo Aparecido Rio Peres é gerente de limpeza da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Para ele, um dos fatores que eleva a quantidade de lixo nas ruas e calçadas é a exposição do material fora do horário de coleta, favorecendo que os sacos sejam abertos e o lixo espalhado. “Os caminhões passam três vezes por semana. As pessoas precisam colocar o seu lixo na calçada nos dias de coleta, de preferência próximo do horário que os coletores passam”, defende.
Para sociólogo, falta entrosamento entre poder público e população
Falta disciplinamento e entrosamento entre a população e o poder público quando o assunto é a limpeza pública. Sem a realização de campanhas eficientes e a criação de uma legislação específica, o cidadão acaba achando que não há o menor problema em descartar as coisas nas ruas, segundo a visão do sociólogo Murilo César Soares.
“Se não colaborarmos individualmente, a coisa foge de controle. Porém, isso precisa ser orquestrado ou por uma legislação ou campanhas para que as pessoas se sintam, ao menos, constrangidas ao jogar o seu lixo por aí”, ressalta.
Ainda nas palavras do sociólogo, e como morador da cidade, é preciso haver um entrosamento entre as duas esferas: poder público e população. “O governo precisa incentivar e dar uma diretriz para que as pessoas ajam. E as pessoas, por sua vez, precisam agir. A atual situação chega a ser degradante”, observa.
| Morador do Fortunato, Antônio Soares planta árvores ao lado de casa para evitar o descarte: “A gente faz isso pelo bem e beleza do bairro” |
Boa ação
Morador da rua Antônia Ravanell Costa, no Fortunato Rocha Lima, o empreiteiro de obra Antônio Soares literalmente faz a sua parte. Ele mora em uma das esquinas da vicinal da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília). Por ali, o lixo depositado pelos moradores pode ser visto aos montes. Para minimizar a situação, ele plantou eucaliptos próximo a sua casa e colocou bancos sob as árvores.
“Fazendo isso, é difícil o pessoal depositar lixo. Outros vizinhos fazem o mesmo, tem gente que planta de tudo um pouco, até árvores frutíferas. A gente faz isso pelo bem e beleza do bairro. O lixo atrai insetos, ratos e muitas doenças, além de deixar tudo feio”, preocupa-se.