10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Projeto golpista e democracia: a liberdade ainda não alcançada

Angelo Antonio Abrantes
| Tempo de leitura: 2 min

Caros, este texto é dirigido às pessoas bem intencionadas, que têm ojeriza à cultura da corrupção e que trabalham ou buscam trabalho para conquistar vida digna. Para aqueles que entendem a necessidade de se forjar um projeto de sociedade que atenda aos anseios da população brasileira e que, pensando em seus filhos, acreditam no futuro. Para aqueles ávidos por se identificar com uma proposta de transformação das desiguais e injustas relações sociais de nosso tempo. Nosso objetivo é destacar o cerne do problema que se encontra escamoteado por tantos outros problemas.

Em nossa conjuntura temos que reconhecer que os senhores do poder estão em disputa. Numa situação de crise econômica mundial e queda nas taxas de lucro dos capitalistas, a luta de todos contra todos ou do cada um pra si, inerente ao modo competitivo do mercado mundial, se expressa nas políticas partidárias.

Nos entreveros das disputas de poder entre partidos de projetos semelhantes se passa a revelar, até certo ponto, detalhes do que se encontrava escamoteado no subsolo das relações criminosas entre os grandes capitalistas e o estado.

O que nunca se costuma explicitar é que, para manter a ordem das relações econômicas dentro da mesma injusta forma societária, o remédio para as chamadas crises nos lucros é dos mais antigos: uma dose diária de autoritarismo para controlar a desigualdade insustentável que se torna cada vez mais viva e um aumento da dose de trabalho não pago. Os que trabalham têm que trabalhar mais, fazer o que dois ou três, agora desempregados, faziam, para ainda receber menos.

A condição presente se torna complexa, pois apesar das disputas, parece existir uma base de acordo entre poderosos que articula a receita autoritarismo e socialização do prejuízo entre os mais pobres, de tal forma que o passado de um regime de exceção resolve mostrar a sua cara. A necessidade de tal regime começa a sair do plano das ideias e se consolidar em ações coordenadas para derrubada do governo eleito democraticamente. Aquela luta de todos contra todos se reorganiza a partir de pacto momentâneo para atacar direitos democráticos e trabalhistas conquistados com muita luta.

Essa manobra não possui qualquer senso de decência e compromisso com o país, visto que é fundada em princípios de ódio e intolerância entre iguais em benefício de poucos que visam se perpetuar no poder. Observamos que mesmo com todas as dificuldades de nossa democracia formal, temos que reconhecer que ela foi uma conquista recente da sociedade brasileira e que, ao invés de liquidá-la como se pretende, temos que projetar um futuro em que a democracia se faça um fato nas relações sociais e se realize a partir da conquista de possibilidades concretas de participação do conjunto da sociedade.