09 de julho de 2026
Nacional

Cerveró envolve Renan e Cunha no petrolão


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O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró acusou os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, ambos do PMDB, de envolvimento em irregularidades na contratação de navios-sonda da estatal. Cerveró prestou ontem seu primeiro depoimento como delator da Operação Lava Jato ao juiz federal Sergio Moro, em Curitiba, e chorou.

Ao ser questionado sobre o lobista Jorge Luz, que atuava na Petrobras, o ex-diretor disse que Luz tinha sido “o operador que pagou US$ 6 milhões” referentes à sonda Petrobras 10.000, contratada junto à multinacional Samsung. “Foi o Jorge Luz o encarregado de pagar o senador Renan Calheiros, o senador...”, disse.

Neste momento, Moro interrompeu a fala, em que Cerveró citaria o nome de outro congressista, argumentando que o assunto não fazia parte da ação penal em questão. Como Renan tem foro privilegiado, investigações sobre ele dependem de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) e ficam a cargo da Procuradoria-Geral da República, em Brasília.  Em outro trecho do depoimento, Cerveró disse que a Samsung havia prometido propinas de US$ 20 milhões, que não foram pagas, na negociação de um contrato de uma das sondas.

“Só depois de vários anos, o (lobista) Fernando Soares (o Baiano) conseguiu, através de um apoio do deputado Eduardo Cunha, receber parte da propina devida dessa segunda sonda”, afirmou.

Cerveró disse a seguir que mencionava o assunto apenas como um “parênteses”, e não deu mais detalhes. Ao fim do depoimento, ele pediu desculpas ao juiz por ter mentido sobre offshores em depoimentos anteriores.  O ex-diretor chorou ao mencionar “o esforço e a coragem” do filho, Bernardo Cerveró, quando relembrou o episódio em que Bernardo gravou uma conversa com um advogado e o senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) em que o parlamentar sugeria a fuga de Cerveró para o exterior. “(Ele) Teve a frieza de ficar uma hora e meia conversando”, disse.

Também pediu desculpas à sociedade e à Petrobras, empresa na qual trabalhou por 40 anos. Moro, ao encerrar o depoimento, concordou com Cerveró. “Seu filho realmente foi bastante corajoso, merece os elogios do senhor.”

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse, por meio de sua assessoria, que a afirmação de Cerveró já faz parte de uma denúncia aceita pelo STF, que foi rebatida e desmentida pela defesa do deputado.  O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não respondeu à reportagem até as 20h30.