Nunca vimos algo tão ridículo como o fato ocorrido na sessão desta segunda-feira, 18/04, na Câmara de Bauru. No processo colocado em votação sobre a redução de 10 para 7 anos da incorporação, vimos um vereador (sr. Arildo) afirmar que funcionários se acomodarão após a incorporação e outros se desmotivarão por ganharem menos pelo mesmo serviço. Achamos que não conhece bem os servidores, somos honestos e prestamos um bom serviço, mesmo sem reposição nem da inflação. Pior foi afirmar que diretores incorporados ganham R$ 6.000,00. Se informe primeiro antes de falar, sr. vereador, entre no site oficial e lá tem o portal da transparência para consultar.
Mas o pior estava para vir, aí já beirou o ridículo. Os vereadores Roque Ferreira, Paulo Eduardo, Arildo Lima Jr., Fabiano Mariano e Natalino da Pousada foram ao microfone solicitando impedimento por terem parentes no serviço público, alguns com cargos comissionados. Gente, o vereador Moisés Rossi foi bem claro em sua fala, o vereador Markinho disse que votar aumento de salário podia e o que estava em votação não... Votar os próprios salários também pode. Vereador Renato Purini foi melhor ainda, ironizou corretamente que sua avó também foi funcionária e isso não tinha nada a ver, que assim não teria ninguém para votar e nunca alcançariam os votos necessários para votação, seria um arquivamento imediato e compulsório do processo, não por ser rejeitado em plenário. E não tem mesmo, impedir votação está cheirando outra coisa, menos impedimento, nunca vimos isso acontecer em outras Casas de Lei.
Nossas perguntas são as seguintes: militares se desmotivam quando alçam o nível mais alto de sua carreira? Médicos, dentistas e demais profissionais liberais quando enriquecem se desmotivam e prestam um atendimento pior? Ora bolas, invente outra desculpa, essa que o vereador deu foi ridícula, o que desmotiva é ter que aguentar alguns apadrinhados colocados por muitos vereadores mandando e desmandando sem poder fazer nada, pois estão sujeitos a perder anos de dedicação como comissionados apenas por discordar dessas pessoas. Sabemos que existem inúmeros comissionados que trabalham e não se utilizam dessa prática, só que muitos ainda se utilizam dessa ferramenta chamada cabresto.
Nossos sinceros agradecimentos aos vereadores que entenderam o projeto. Existe algo de podre no reino da Dinamarca e iremos saber exatamente o quê. Aí, sim, e não considerem isso uma ameaça por não ser do nosso feitio, esse contingente de 6.000 funcionários, seus familiares e amigos (sem medo de errar deve ser um contingente de 30.000 pessoas) saberão responder à altura nas próximas eleições. Sei que alguns se sentirão ofendidos e tem o poder de subir na Tribuna para se defender, mas nós, humildes servidores públicos, temos a Rádio Peão e a liberdade de expressão assegurada no JC.
Os autores são diretores e concursados da Prefeitura de Bauru