10 de julho de 2026
Geral

Caso Odontoma: procurador anuncia recurso contra decisão

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
Procurador da República Fabrício Carrer informa que irá apresentar o recurso ao TRF até a sexta da próxima semana

O procurador da República Fabrício Carrer, autor da ação criminal que obteve sentença condenatória de cinco pessoas no principal caso referente aos escândalos da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), anunciou nessa quarta-feira (20) que vai recorrer da decisão junto ao Tribunal Regional Federal (TRF).

Como mostrou a edição dessa quarta do JC, o juiz da 2.ª Vara Federal, Marcelo Zandavali, acolheu as acusações por peculato, falsidade ideológica e subtração de documentos contra Joseph Saab, Marcelo Saab, Célio Parisi e Vladmir Scarp. A Maria Lúcia Lopes Saab foi imputado apenas o último dos crimes.

O procurador, porém, deve pedir ao Tribunal Regional Federal (TRF) a condenação de outros três réus do processo absolvidos pelo magistrado: Samuel Fortunato, Deivis Manuel Gonçalves e Reinaldo Silvestre Rocha. Ele, contudo, concorda com a decisão de inocentar Antonion Carlos Catharin. Além disso, Carrer pode reclamar o acolhimento das denúncias por formação de quadrilha, estelionato e uso de documentos falsos, rejeitados em primeira instância.

Dessa forma, ele afirma ser possível que as penas a reclusão em regime fechado – que chegam a mais de 16 anos no caso de Joseph Saab – podem ser majoradas, mas admite também a possibilidade oposta, já que a defesa dos sentenciados também pleiteará a absolvição dos acusados ou, em segunda hipótese, o abrandamento das sanções.

O procurador da República explicou não haver elementos que justifiquem a prisão cautelar dos condenados, observando que, de acordo com recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a execução das penas se dá após a ratificação das sentenças em segunda instância, o que ele espera acontecer até o ano que vem.

Os recursos da acusação devem ser impetrados, segundo Fabrício Carrer, até a sexta-feira da semana que vem.

COMPLEXIDADE

Em entrevista coletiva concedida nessa quarta (20), o procurador fez um desabafo de repúdio a críticas tecidas contra ele e a atuação do Ministério Público e Justiça Federal, especialmente quanto ao tempo desde a deflagração da Operação Odontoma, em outubro de 2009, até a publicação da primeira sentença criminal relativa ao caso. “Diziam que tudo isso acabaria em pizza. Me chamaram de procuradorzinho”.

Carrer reiterou a complexidade do trabalho desempenhado durante esses quase sete anos, destacando terem sido ouvidas mais de 60 testemunhas e analisadas mais de 7.500 fichas de atendimentos fraudadas no setor de bucomaxilo do Hospital de Base. Todo o processo está organizado em mais de 30 volumes e só o pedido de condenação dos réus foi fundamentado em 493 folhas.