A questão do abandono, dos maus tratos e da reprodução indiscriminada de animais domésticos é uma questão ambiental, moral e ética de grande monta, na qual a ausência do poder público é notória, bem como a negligência de grande parcela da própria população.
Em todo o país, a questão vem sendo conduzida pela sociedade civil organizada que, diante de questão de saúde pública tão importante, tenta minimizar os efeitos negativos da omissão a partir da criação de Organizações Não Governamentais ou mesmo Organizações Civis de Interesse Público que podem (e devem!) firmar convênios e parcerias com o poder público, com a iniciativa privada e com universidades para a consecução de seus objetivos.
Poucas são as ONGs brasileiras que conseguem atingir esse grau mínimo de profissionalismo e, menor ainda, são as que se preocupam em oferecer transparência de suas ações a toda a sociedade. Em Bauru não é diferente, infelizmente: das poucas ONGs locais, apenas uma (UIPA – Bem Estar Animal) oferece, efetivamente, serviços veterinários gratuitos à população de baixa renda de forma sistematizada, mantendo os registros dos animais que atende e cadastrando os tutores desses animais, para posterior acompanhamento dos mesmos, durante toda a vida deles. Em função de seus métodos, vale frisar, a Bem Estar Animal tem seu trabalho reconhecido pela outorga de título de utilidade pública.
Importe enfatizar que a Proteção e Defesa da Causa Animal se consolida como um campo de conhecimento que atrai o interesse dos mais diversos campos das ciências (veterinários, médicos, psicólogos, juristas, filósofos, comunicadores etc) e, a partir da publicação da Declaração de Cambridge, de 2012, sobre a senciência animal, inúmeros países têm adequado suas leis, no sentido de considerarem que animais são pessoas não humanas e, portanto, merecedores de direitos antes assegurados exclusivamente aos seres humanos.
Portanto, é preciso que não apenas as ONGs de proteção animal, mas também as autoridades passem a tratar a questão de forma ética, definindo-se protocolos conjuntos de atuação onde não caibam nem o exibicionismo, nem a competição e, muito menos, o oportunismo em nome daqueles que não se expressam pela via da linguagem e da significação humana.
Digo isso tudo, pois, muito me admirei ao ser abordada na rua por jovens uniformizados pedindo dinheiro no sinal para arrecadar fundos para uma ONG recém instalada na cidade, ONG essa cujo perfil nas redes sociais e notícias de jornal são absolutamente desabonadores de sua conduta.
Lamento que bauruenses de bom coração movidos pela compaixão pelos animais, possam endossar um “trabalho” que não demonstra estar afinado com critérios minimamente consensuais, dentro do contexto daquilo que inúmeros estudiosos, no mundo todo, vêm definindo como Proteção e Defesa da Causa Animal.
Por favor, Bauru, não se deixe lesar por organizações obscuras! Neste caso, ao invés de estar protegendo um animal, você pode estar justamente financiando aquele que vai maltratá-los ou abandoná-los, na primeira dificuldade financeira que encontrar.