Um dia após o espetáculo deprimente promovido pela Câmara dos Deputados no último domingo e transmitido ao vivo a toda a Nação, segue o rito do impeachment: o vice-presidente Michel Temer (PMDB), com notório conhecimento de que a teoria da conspiração é qualquer forma de explicar algo ou alguma coisa, tendo como princípio que a sua natureza é secreta e parte de um plano conspiratório, dá uma entrevista para dizer que não irá dizer nada.
Mas suas ações revelam quem são seus aliados nessa trama. Temer se reuniu com os tucanos Aécio Neves e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, para um jantar. No cardápio, o convite para que Fraga assumisse o Ministério da Fazenda em um eventual governo Temer. O secretário de segurança do governo Alckmin (PSDB) foi chamado para assumir o comando da AGU (Advocacia Geral da União). Nesse mesmo dia, o senador Aloysio Nunes, do PSDB, seguiu para a capital dos EUA com objetivo de defender no exterior a imagem desgastada em que o país se encontra.
Enquanto isso, tucanos negociam com o ex-líder do governo no senado Delcídio Amaral para que ele recue nas acusações contra Aécio Neves centrando fogo tão somente contra a presidente Dilma. Isso tudo faz parte da “Agenda Emergencial” criada pelo PSDB para garantir a ascensão de Temer ao poder e o sustentá-lo e não sou eu que estou afirmando, os fatos estão estampados em todos os noticiários nacionais.
Ao PMDB, lhe coube o papel que sempre o fizeram com muita maestria ao longo de sua história, saciar seus interesses partidários em detrimento do bem comum. Fisiologismo que não se finge mais. Aliás, esse apetite depravado do PMDB para cargos não é novidade para ninguém e todos os caminhos que este partido arquitetou para construir ‘Uma Ponte para o Futuro’, documento elaborado para tirar o país da crise, nada mais é que uma cópia estragada do modo tucano de governar e que nos levam ao um único caminho: o da implementação de um programa neoliberal para recuperar a taxa de lucro da burguesia e cortar direitos dos trabalhadores.
For fim, não há como reconhecer um governo comandado por Temer e à classe trabalhadora, juventude, movimentos populares e sociais só resta uma saída: entrar em cena e lutar contra esse governo e qualquer medida que retire direitos sociais e direitos dos trabalhadores conquistados através de anos de lutas.