11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mesmo com demissões em alta, cai a liberação do seguro-desemprego

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
A economista Salete Lara afirma que mudança de cenário de desempregos depende do fim da crise política

O Brasil dos desempregados já possui quase a mesma população de Portugal: beira os 10 milhões de habitantes. Bauru não fica de fora da tendência nacional e, mesmo assim, a concessão do seguro-desemprego na cidade caiu 3,5% entre 2014 e 2015. Uma das explicações gira em torno da nova lei, sancionada em junho do ano passado, que restringiu o acesso ao benefício.

Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS) dão conta de que houve 24.100 solicitações para obter o seguro-desemprego em 2013, 24.715 em 2014 e 24.736 em 2015. Contudo, foram atendidos 23.572, 24.055 e 23.222, respectivamente. Diante disso, a quantidade de pedidos subiu nos últimos três anos, mas aqueles que foram, de fato, acolhidos, caíram 3,5% entre 2014 e 2015. Foram menos 833 benefícios concedidos.

O gerente regional do Trabalho em Bauru, José Eduardo Rubo, acredita que, no final de 2014 e início de 2015, as pessoas começaram a perder seus empregos e tinham o tempo de trabalho necessário para obter o benefício. “Só que a crise continuou se agravando em 2015 e aqueles que receberam o seguro se reempregaram, mas tornaram a perder seus trabalhos. Desta vez, não havia tempo necessário para obter o benefício”, justifica.

Outra explicação para a queda da concessão do seguro-desemprego nos últimos dois anos fechados é a alteração da lei que dispõe sobre o tema. Ela diz que, para a primeira solicitação do benefício, é preciso trabalhar por 12 meses. Para o segundo pedido, é necessário trabalhar por nove meses e seis, no caso do terceiro. Antes, a regra era geral: o trabalhador podia pedir o auxílio após seis meses.


Cenário
Segundo a economista e coordenadora do curso de ciências econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Salete Rossini Lara, o cenário econômico bauruense não é diferente do brasileiro, onde há uma redução gritante na oferta de emprego. “Isso é devido à crise política que se abateu em nosso País e, consequentemente, ocorreu uma crise econômica”, argumenta.

Salete considera a quantidade de solicitações e concessões de benefício elevada, porque demonstra o aumento do desemprego em Bauru. Como solução imediata, a economista aponta o fim da crise política. “Depois, aplicamos algumas políticas macroeconômicas de incentivo à produção, como uma reforma fiscal, principalmente, de redução dos gastos públicos. Outra opção é instigar o consumo, mas de forma gradual”, opina.

Benefício ‘socorre’ os trabalhadores

Quem assume compromissos financeiros, como prestações de imóveis e de cartões de crédito, fica sem rumo quando é demitido. É aí que entra o seguro-desemprego, que dá certo alívio aos trabalhadores, incluindo Aline Rodrigues Avi, 32 anos, que prestou serviços por mais de 9 em um banco de Bauru, contudo, perdeu o emprego no último dia 4.

Ela assumiu algumas contas, porque não esperava que ficasse desempregada. “O seguro-desemprego vem para nos ‘socorrer’, porque tenho alguns compromissos, como o curso de inglês. Outras pessoas pagam faculdade. Portanto, não dá para deixar de ter qualquer auxílio enquanto não encontro emprego”, defende Aline Rodrigues.