08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Eu temo o impeachment...

Emerson Hortolan
| Tempo de leitura: 2 min

Sou empresário, nem sempre fui, já fui estagiário, já fui ajudante de pedreiro (por poucos dias), já fiz entregas, já dei aulas, já fui empregado da iniciativa privada. Dia desses, ouvi de outro empresário que “cuspimos no prato em comemos, pois, nunca ganhamos tanto dinheiro como no governo do PT...”.


Respondi a ele que se era esse o preço a pagar, modestamente, retornaria à minha vida profissional, ainda tenho carteira e alguns anos de contribuição antes de me aposentar.


Eu, desde o princípio, nunca estive convencido que o impeachment era o melhor caminho, tenho até receio dele. Disse isso a vários amigos que mantenho desde a adolescência, com quem, frequentemente, discutimos cerveja, futebol, bundas e política.


O impeachment é um processo político cuja razão está baseada em crime de responsabilidade. Crime de responsabilidade, a meu ver, foram cometidos, e continuam sendo, e de forma cada vez mais frequente.


Só nestes últimos dez dias, eu diria que foram cometidos três (CF art 85, incisos 1, 2 e 7), para ficar na segurança: Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: I - a existência da União;  II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;  VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.


Quando os crimes de responsabilidade são as pedaladas fiscais e a falta de autorização do Congresso para gastos suplementares, o tema fica ainda mais estéril.


Julgo que metade dos deputados que votaram não os compreenderam, e, que dirá, o brasileiro médio. O que me surpreende é que haja brasileiros “bem acima da média”, com acesso à informação, que não os compreendam, ou, pior ainda, os desprezam por uns “trocos a mais”.


Por isso, temo o impeachment: é capaz que, depois de apeada do poder, e ela será, essa maldita dama saia como uma vítima política, e não como uma criminosa que, de fato, é.


Temo, ainda mais, por julgar que, ao vê-la sair vitimada, o PT possa retornar em 2018, baseado justamente na sua vitimização e na canonização do demônio que a elegeu – aquele mesmo que “elegeria um poste”.


O que desejo, do fundo do meu coração, e, agora, vale a expressão tão usada na votação “por meus filhos” (ou pra ser mais altruísta, pelas próximas gerações), é que essa cambada toda vá para a cadeia, que é o lugar que realmente merecem.  E esse destino tem uma grande vantagem: o brasileiro médio, e mesmo aquele “bem abaixo da média”, é capaz de compreender que figurões na cadeia fizeram coisa muito errada, mesmo que não compreendam bem o que tenha sido.


É por isso, por meus, filhos, por meu país, que rezo (do meu jeito, mas, rezo) diariamente para que todos, todos mesmo (de qualquer partido), que mereçam, acabem na cadeia...


Só isso poderá construir um país melhor, que, certamente, minha geração jamais verá, mesmo que alguns de nós possamos ganhar muito dinheiro (honestamente) numa ou noutra gestão.