09 de julho de 2026
Geral

Receita "fecha o cerco" contra autônomos em Bauru e região

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
João Daniel Giraldi, auditor fiscal: “Alguns não fizeram por desconhecimento, mas outros não quiseram recolher mesmo”

Agora chamados de contribuintes individuais, os autônomos serão alvo de fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Bauru, que compreende 45 municípios. Os trabalhadores que não recolhem a contribuição previdenciária junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o que é obrigatório por lei, serão intimados durante a Operação Autônomos, que começará nesta segunda-feira (25) e não há data para chegar ao fim.

É o que revela o coordenador da iniciativa em Bauru, o auditor fiscal João Daniel Giraldi. Segundo ele, profissionais liberais, tais como médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, engenheiros, arquitetos, contadores, advogados e titulares de cartórios, além de autônomos, como pintores, eletricistas, encanadores, carpinteiros, pedreiros e cabeleireiros, terão de acertar as pendências previdenciárias, caso trabalhem por conta própria.

Aqueles que estão em débito receberão uma notificação para que regularizem a situação fiscal referente ao INSS devido. “Alguns não fizeram por desconhecimento, mas outros não quiseram recolher mesmo”, argumenta o auditor Giraldi.

Há três anos, Bauru sediou uma operação semelhante, que resultou em lançamento fiscal superior a R$ 1,5 milhão. Contudo, a Receita não divulgou a estimativa de arrecadação para a iniciativa deste ano.

Se intimados, os segurados terão tempo de quitar a dívida só com o acréscimo da multa por atraso, que é de 0,33% ao dia sobre o valor devido e não pode ultrapassar 20%. Caso isso não seja feito, os profissionais receberão uma multa de ofício, que varia de 75% até 225% sobre o valor da contribuição devida. Exatamente para evitar esse tipo de situação, João Daniel Giraldi aconselha que os autônomos procurem se regularizar antes de receberem a notificação.

Por conta própria

Conforme consta na Lei Federal n.º 9.876, datada de 1999, “equipara-se a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação ao segurado que lhe presta serviço”. Portanto, esses profissionais têm de recolher a contribuição previdenciária por conta própria. Neste ano, o limite do salário de contribuição mensal varia de R$ 1.037,96 a R$ 5.189,82.

“Se um médico que trabalha como autônomo ganha R$ 10 mil ao mês, terá de pagar 20% do teto do salário de contribuição, que é R$ 5.189,82. Contudo, se ele receber menos que esse limite, tem de pagar 20% sobre o valor total do salário”, explica o auditor fiscal da Delegacia da Receita Federal em Bauru, João Daniel Giraldi.

Operação

A Operação Autônomos já ocorreu em diversas cidades brasileiras e, na região de Bauru, esta é a segunda vez em que a iniciativa é deflagrada. Ela permite que a Receita Federal rastreie e identifique quem não recolhe a contribuição previdenciária. O que também ajuda é a nova regra para a declaração do Imposto de Renda (IR).

Essa norma estabelece a obrigatoriedade de médicos, odontólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e advogados autônomos informarem o CPF das pessoas físicas para as quais prestaram serviços em 2015, além do valor cobrado. Até o ano passado, o CPF não era requerido. O Fisco solicitava somente o valor total mês a mês.