08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A verdade sufocada

Antônio Ribeiro Corrêa
| Tempo de leitura: 2 min

Este é o título do último livro ao cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra. Nos anos 70, capitão do Exército Brasileiro, II Exército sediado em São Paulo, capital. Não li e não lerei nunca. Contudo, não é difícil deduzir a essência de que trata a referida obra que, pelo que me consta, foi escrito pela sua esposa.


O personagem em destaque não é outro senão o chefe do DOI-Codi, uma sigla atrapalhada para significar “Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna”. Noutras palavras, era o setor militar do Exército que tratava de “arrancar” confissões unicamente na base das torturas, sempre de iniciativa e macabrismos do então capitão Ustra. Mas, dentre as dezenas de milhares de torturados, a grande maioria nada tinha a revelar, pois eram estudantes que, como todos eles, tinham os seus ideais, não participavam de conflitos, eram jovens demais.


Um desses casos macabros, uma estudante de medicina que nada fazia no movimento senão socorrer pessoas feridas, foi parar no DOI-Codi nas mãos tiranas do capitão epigráfico. Molhada, nua, sobre duas latas tomou choques e apanhou muito do “nobre” representante do Exército que não o formou para isso enquanto o tempo escoava lentamente e a agonia dolorosa da estudante sequer tocava a sensibilidade de qualquer soldado de boa formação moral... Ao menos deveria mostrar algum conhecimento de psicologia.

Foi esse mesmo algoz, falecido em 2015, aos 83 anos, homenageado pelo deputado Jair Bolsonaro, que lhe dedicou o seu “Sim”, quando da votação do impeachment da presidente.  


Embora rígido e inquebrantável, como se fosse ser aplaudido ao dizer que Ustra era o terror da presidente (uma frágil estudante adolescente acusada de matar um oficial e assaltar a mão armada), o acéfalo deputado foi vaiado até por gente sua.


Mas foi pouco. O Brasil conta que o STF analise o fato e puna devidamente o infrator que por si só mostra o caráter que o Exército Brasileiro não outorgou, nem aprovou e nem consentiu a ele e nem nunca ao coronel Ustra.