| Divulgação |
| Vacina contra H1N1 será aplicada dia 30 em crianças, gestantes, indígenas e trabalhadores da saúde |
Mesmo com a antecipação do início da campanha nacional de vacinação contra a gripe para o próximo sábado (30), muitas pessoas que fazem parte do grupo prioritário e, em tese, já poderiam ser imunizadas deverão esperar mais um pouco para receber a dose da vacina. Por orientação da Secretaria Estadual da Saúde, alguns municípios irão dividir a campanha em três etapas, priorizando num primeiro momento crianças, gestantes, puérperas, indígenas e trabalhadores da saúde.
Tradicionalmente, no chamado “Dia D”, todos os que se enquadram no público-alvo definido pelo governo federal podem ser imunizados. Contudo, neste ano, a reportagem apurou que houve uma redefinição do calendário de vacinação em razão da quantidade insuficiente de doses de vacina que teriam sido liberadas pelo Ministério da Saúde.
Atendendo a recomendação do governo do Estado, cidades como Macatuba e Lençóis Paulista irão vacinar a partir do dia 30 apenas as crianças com mais de 6 meses e menos de 5 anos, trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas (mulheres que tiveram filhos nos últimos 45 dias) e indígenas. Os idosos só serão imunizados a partir de 9 de maio.
Na terceira etapa, que tem início em 16 de maio, serão aplicadas doses de vacina em pessoas com doenças crônicas, como diabetes, asma e hipertensão, e detentos. O Grupo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Macatuba orienta a população a respeitar o novo calendário de vacinação contra a gripe.
O mesmo pedido está sendo feito pela Diretoria de Saúde de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), que também irá seguir a recomendação do governo do Estado. O município informou que tem como meta imunizar 12.763 pessoas, sendo 3.874 crianças, 1.308 trabalhadores da área da saúde, 715 gestantes, 117 puérperas e 6.749 idosos.
Em Botucatu, a Secretaria de Saúde explica que seguirá o cronograma inicial, imunizando as pessoas de todos os grupos a partir do dia 30. O município conta que recebeu apenas 11 mil doses das 33 mil previstas e que irá aguardar o envio de novas vacinas no decorrer da campanha.
Em Agudos, a Secretaria de Saúde também optou por não dividir a campanha em etapas. Até ontem, o município havia recebido 3 mil doses da vacina contra a gripe, quantidade insuficiente para atender o público-alvo da campanha.
Mais doses
O JC questionou a Secretaria Estadual da Saúde sobre a divisão da campanha por etapas. Em nota, a pasta disse que trabalha para que a vacinação “ocorra normalmente a partir de sábado, abrangendo todo o público-alvo previsto na campanha, no interior e litoral do Estado”. “Nesse sentido, mais doses da vacina foram solicitadas ao Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, visando abastecer todo o Estado. Os municípios e a população serão devidamente informados antes do início da campanha”, declarou.
Sudeste só recebeu metade das doses
Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição dos lotes de vacina contra a gripe para os estados está ocorrendo desde o dia 1 de abril. “O cronograma de distribuição aos estados é elaborado de acordo com a entrega da vacina pelo laboratório produtor, o Instituto Butantan”, explica. “A entrega aos municípios, por sua vez, é responsabilidade dos estados”.
A pasta alega que, nas quatro primeiras remessas (1º a 22 de abril), estados da região Sudeste, da qual São Paulo faz parte, receberam 12.270.579 doses de vacinas, o que corresponde a 52% do total a ser enviado para a campanha deste ano. “Estão previstas mais quatro remessas com o restante do quantitativo para as próximas semanas. A partir do recebimento das vacinas, os estados podem definir estratégias de contenção, conforme suas análises de risco, para a vacinação da população-alvo, observando a reserva adequada do produto para a campanha nacional”.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Sudeste concentra o maior número de casos de H1N1 (976), sendo 883 no Estado de São Paulo. Com relação ao número de óbitos, São Paulo lidera o ranking nacional, com o registro de 119 mortes das 230 ocorridas em todo o Brasil neste ano.