08 de julho de 2026
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Janira Fainer Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Na Florença do Renascimento um homem chamado Maquiavel estudou o comportamento humano, dos gregos aos humanistas dos quinhentos, chegando à seguinte conclusão: o homem sempre agiu pelas formas da corrupção e violência. Dedicou seu livro a Lourenço de Médici, porém, o protótipo para seu texto era César Bórgia. Esse período tornou-se conhecido como do realismo político e Maquiavel foi simplesmente o porta-voz da época, que produziu, além de Bórgia, chefe de um bando criminoso e envenenador, outros déspotas. Ele não inventou o maquiavelismo, mas em sua obra encontra-se a chave de toda a concepção do mundo moderno. Se sua doutrina fosse o simples capricho de um filósofo desempregado, inteligente e cruel, não teria tido a influência avassaladora que teve e tem até hoje. Sem dúvida, o livro de cabeceira de todo político é ‘O Príncipe’.


O que são Dilma e Lulla senão realistas políticos sem escrúpulos? Eles renegaram o povo pelos grandes senhores repetindo os exemplos citados por Maquiavel. Os membros de partidos que aparecem na televisão pregando eleições diretas em outubro são realistas políticos sem escrúpulos, pois esses pequenos tiranos sabem da impossibilidade dessa proposta... Estão se enganando ou tentando enganar o povo?  Outro dado estarrecedor foi a hostilidade para com a sociedade brasileira contida nas entrelinhas das falas dos apoiadores do governo no domingo, dia 17, ao declararem seus votos. Cada um deles pareceu-me um príncipe da Renascença feito às pressas. Fanatismo? Não, mais provável que seja oportunismo. Vivo em um país democrático e dou a oposição direito de pensar e votar como quiser, porém quero um Brasil unido depois dessa tempestade, onde se reconstrua um lugar melhor para se viver. Como todo brasileiro honesto não posso apoiar esse grito de guerra, nem suportar as ameaças veladas ou diretas, exijo respeito.


Quem deveria conduzir seu rebanho em silêncio de volta para casa está gritando alto. Lulla promete luta armada, afinal não conseguiu realizar seu projeto de transformar o Brasil em Cuba ou Venezuela. Com o povo nas ruas pedindo a saída de Dilma, o nosso César colocou em prática um dos métodos empregados por Bórgia. Se a população não aceitar dominação, a alternativa é sua  destruição. Deve-se esperar o que dessa atitude desesperada de ambos?


O Brasil não quer Dilma, nem Lulla. Todo brasileiro honesto também não quer Cunha, nem Renan, no governo. Mas quem está cuidando disso é o juiz Moro. Como não é político tem compromisso com a justiça. A Lava Jato trabalha por etapas, então daqui a pouco chega lá. Quanto ao vice-presidente, existia um acordo entre os partidos e ele e a presidente foram eleitos pelo voto popular, assim como a chapa Collor/Itamar. Mas, uma das alegações da senhora presidente é que ele não teve votos. Não? Foram eleitos como? É natural que o vice assuma e vou logo dizendo: não sou peemedebista. Quanto ao PMDB fazer parte do tripé corrupção, até prova contraria Temer é inocente. Nos próximos meses muitos políticos conhecidos serão apontados como corruptos e nós os brasileiros honestos saberemos quem são eles.  Se dos escombros restar somente 1/3 dos deputados e senadores o importante é o Brasil sendo passado a limpo.


Após a decisão do Senado sobre o impeachment, por que não uma força tarefa para a execução das reformas necessárias, a extinção de metade dos ministérios, gente séria e competente no governo? Talvez até um novo sistema na escolha dos nossos representantes através de voto distrital, mais compatível com o tamanho do Brasil. A crise atual deve servir de lição para essa geração e de exemplo de bom senso para a geração futura.


A autora é doutora em Estética e História da Arte