08 de julho de 2026
Geral

Gripe: vacinação começa e termina

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Em Bauru, a campanha nacional de vacinação contra a gripe, que começou neste sábado (30) com o chamado “Dia D”, está suspensa por falta de vacinas. O temor da contaminação pela gripe H1N1 fez com que as pessoas que fazem parte do público-alvo lotassem as unidades de saúde. Com isso, a meta da Secretaria Municipal de Saúde de vacinar 30% desse grupo foi ultrapassada e pelo menos dois locais de vacinação fecharam mais cedo do que o previsto.

Conforme divulgado pelo JC, a campanha de vacinação em Bauru, onde o público-alvo está estimado em 80 mil pessoas, começou com 32 mil doses de vacina, o equivalente a 40% do total. Segundo o diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica, Ezequiel Santos, a expectativa no “Dia D” era de imunizar 30% do público-alvo, ou 24 mil pessoas, mas esse percentual ultrapassou os 35%, o que representa cerca de 28 mil pessoas.

Pela manhã, a reportagem foi até as unidades de saúde do Centro e da Vila Cardia e constatou grandes filas de pessoas aguardando a vacina.

O JC apurou que, na Vila Cardia, a vacinação começou às 8h, com 600 doses.

Em 1h30, vacinas acabaram e foi solicitada reposição. Pequeno atraso na chegada das novas doses gerou princípio de tumulto no local e a Polícia Militar chegou a ser acionada.

Lícia Matheus, 23 anos, acordou cedo para não correr o risco de deixar os filhos Alice, de 10 meses, e Rian, de 4 anos, sem vacina. “A gente não sabe o quanto de vacina que veio. Vim cedo para garantir”, declarou. “Com criança, a gente não pode descuidar”.

O diretor confirma que, na unidade de saúde da Vila Cardia e Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila Dutra, as portas foram fechadas meia hora antes do previsto por falta de vacina.

A título de comparação, Santos conta que, no ano passado, no mesmo dia, apenas 7% do público-alvo foi vacinado, ou 5,6 mil pessoas. Para evitar tumulto, o diretor optou por suspender previamente a campanha..

“Teve alguma sobra de vacina, mas coisa que não dá nem para começar (a vacinar). Do total, sobrou 5% das vacinas, o que deve corresponder em uma unidade a 20 doses, em outra unidade a dez doses”, explica.

“A gente vai receber do Estado o segundo lote, algo em torno de 32 mil doses. Na quarta-feira (4) a gente vai voltar a vacinar”.


Inclusão
A Associação de Pais para Integração Escolar da Criança Especial (Apiece), em Bauru, também teve seu “Dia D”, ontem, das 9h às 12h.

Os cuidadores e as pessoas com deficiência vinculados à entidade receberam a vacina contra a gripe.

“Isso é uma inclusão à vida, porque eles não têm condições de pagar pela imunização nem de enfrentar longas filas de espera”, argumenta a diretora técnico-pedagógica da instituição, Catarina Carvalho. Este foi o terceiro ano em que a Apiece promoveu o “Dia D”.


Após fila, aposentado ainda espera

Apesar de a Secretaria de Saúde confirmar o fechamento antecipado apenas da unidade de saúde da Vila Cardia e USF da Vila Dutra, o JC recebeu reclamações de pessoas que alegam que não conseguiram ser imunizadas em outros locais de vacinação.

É o caso do aposentado Edson Sanches, 82 anos. Ele entrou em contato para relatar que enfrentou uma hora de fila na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Geisel, mas não conseguiu ser imunizado porque as vacinas teriam acabado por volta das 16h, uma hora antes do horário previsto para o fechamento da unidade.

“Na fila, havia uma série de crianças e mulheres grávidas. Além disso, o pessoal que estava na UBS do Jardim Redentor também foi ao Geisel, porque as vacinas acabaram às 14h naquele posto”, narra o aposentado.

Ele conta, ainda, que os funcionários da UBS anotaram os nomes e telefones das pessoas que estavam na fila e ficaram de entrar em contato assim que outra remessa chegasse. A campanha de vacinação contra a gripe segue até 20 de maio.

Em tempo: o público-alvo inclui idosos, indígenas, doentes crônicos, profissionais de saúde, gestantes, mulheres que tiveram filhos nos últimos 45 dias e crianças entre seis meses e cinco anos, além de detentos e funcionários do sistema prisional.