10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Incra, farsa, vergonha, caso de polícia

Rafael Santana de Lima (ex-diretor de Departamento e Abastecimento da Sagra
| Tempo de leitura: 3 min

A Constituição garante direito à terra para subsistência e produtividade das pessoas que, por motivos óbvios, são denominadas de “sem terras”, e a luta por ela é mais árdua do que parece, pois as instituições que foram criadas para desenvolverem os programas de reforma agrária sempre estiveram infestadas de patifes, e praticaram o banditismo livremente durante muito tempo, com a conivência desse governo e usando da boa fé das pessoas esperançosas e em sua maioridade humildes que sofrem, passando fome e até morrem em beiras de estradas na peregrinação pelo seu direito.

    

O TCU, Tribunal de Contas da União, paralisou o Programa de Reforma Agrária, concessão de benefícios e créditos rurais no país pela descoberta de 578 mil beneficiários irregulares, entre eles 62.000 empresários, 144.000 servidores públicos, 38.000 mortos, 1.100 políticos, entre esses políticos, 800 vereadores, 100 deputados estaduais, 64 vice prefeitos e até 1 senador. No governo Lula, onde se esperava maior movimentação da reforma agrária e surpreendentemente, só fizeram a metade do que fez o Fernando Henrique Cardoso, e durante os 5 anos e meio do governo Dilma nada se fez pela reforma agrária.

       

Como o  leitor pode ver, o “sem terras” verdadeiro é até muito paciencioso e ordeiro, é claro que não defendo em hipótese nenhuma depredações, fogo, morte de animais e destruição de produção ou propriedades como forma de protesto, porém, as mobilizações organizadas são necessárias e foram imprescindíveis até para a descoberta dessa patifaria e injustiça toda que nossa população não tem conhecimento e precisa entender que muita gente morreu e ainda morre covardemente pela causa.


Em Bauru e região existem cerca de 35.000 famílias que esperam esse acesso à terra e posso citar dezenas de associações de acampados que produzem mesmo em beiras de estradas e, mais que isso, ainda distribuem a produção a entidades e dou como exemplo o Acampamento Irmã Dorothy, Agudos, que espera por longos 8 anos. Tem como líder, e exerce essa liderança com responsabilidade, o “Paulinho”, que mandou 500 pães para a Sagra distribuir a entidades e são exemplos de conduta mesmo sendo covardemente excluídos pelo Incra, que usa essa exclusão para diminuir e enfraquecer a liderança. E ainda defendo que o TCU precisa conversar com os líderes dos Sem Terras, pois irão descobrir que terras para reforma agrária, inclusive de nossa região, estão sendo negociadas “no calar da noite” com multinacionais, usinas, para plantação de laranja, cana, soja, eucalipto e subtração de madeiras, já denunciamos a deputados do PT e esperamos providências.


É claro que tudo isso reflete diretamente nos assentados (Agricultura Familiar) que também são ludibriados pela incompetência e inoperância do Incra, porque as promessas, prazos, compromissos e acompanhamentos não são efetuados e de forma heroica alguns ainda conseguem se organizar e produzir. Estou escrevendo para que as pessoas reflitam quando discriminar esta classe que luta simplesmente pelo seu direito, e não concordo quando alguém de nossa cidade que tem formação universitária, é doutor, presidente de partido, que se diz “socialista” e alguns de seus membros não permitem que um brasileiro, bauruense, denominado “sem terras” exerça o seu direito de se candidatar, principalmente quando o suposto candidato escolhe o partido coerentemente pela sua história “que infelizmente está sendo jogada no lixo” e sendo usado estrategicamente por interesses maiores ou seja... Vergooonha política, vergonha, Incra...

Haja vergonha.