10 de julho de 2026
Geral

Secretário e moradores se "rebelam" contra obra parada na av. Nuno de Assis

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Quadra 12 da Nuno de Assis permanece com a pavimentação parada e sem prazo para conclusão

A obra dos interceptores de esgoto na Nuno de Assis permanece com a pavimentação parada e sem prazo para conclusão. Enquanto as negociações entre o DAE e a Stemag não avançam, a quadra 12 da avenida segue interditada e o estado do asfalto no cruzamento com a Nações piora a cada dia. A situação está tão insustentável que os moradores e até representantes do poder público se “rebelaram” diante do cenário.

A prefeitura estuda realizar os reparos, algo que pode livrar o DAE de pagar o serviço à empresa, a qual pediu dois aditivos no valor total de R$ 180 mil para finalizar toda a obra, conforme o JC adiantou. Como resposta aos transtornos causados pelos buracos e desníveis na via, vizinhos estão fazendo um abaixo-assinado para levar ao Ministério Público (MP) e ameaçam até liberar o trecho interditado por conta própria se nada for resolvido.

A mobilização em torno da obra, que deveria ter sido entregue em abril do ano passado, começou na última sexta, quando o Grupo de Ações para Redução de Acidentes de Trânsito (Garat) - formado pela Emdurb, PM, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Obras e Sindimoto – oficiou o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, para que faça a correção da massa asfáltica nos dois trechos, uma vez que o local está muito perigoso. O problema também foi abordado e criticado pelos vereadores Carlão do Gás (PMDB) e Markinho da Diversidade (PP).

Nesta quinta-feira (5) à tarde, Rodrigues se reunirá com o prefeito Rodrigo Agostinho e o presidente do DAE, Giasone Cândia, para discutir a ação. O encontro acontece no Palácio das Cerejeiras. “A intenção é fazer o recapeamento tanto no trecho interditado (quadra 12 da Nuno, sentido Centro-bairro) quanto no cruzamento com a Nações”, disse o secretário.

Um relatório técnico solicitado pela pasta nesta semana comprovou que os trechos oferecem perigo iminente de acidentes. “O risco é de médio para alto”, mensura Rodrigues. Ele não estimou, entretanto, os custos dos reparos. “Iremos medir o valor real durante a execução do serviço, que culminará apenas na interdição parcial da Nações”, detalha.

15% mais acidentes em cruzamento

De acordo com o gerente de trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto, desde o início da obra, em agosto de 2014, a pasta registrou aumento de 15% no número de acidentes no cruzamento da Nuno com a Nações, trecho que ostenta o título de “campeão” de colisões da cidade.

“As ocorrências variam entre acidentes com vítimas leves e graves até pequenas batidas traseiras, que acontecem porque os motoristas freiam bruscamente por causa do asfalto ruim. Além dos buracos, tem desníveis na pista e pedriscos que fazem o carro patinar”, aponta.  

A situação é ainda mais preocupante diante do intenso tráfego no trecho. Gerente de operações viárias da Emdurb,  Aníbal dos Santos Ramalho revela que estudo realizado pela pasta mostrou que, no horário de pico, entre 18h e 19h, passam cerca de 2.378 veículos nos dois sentidos da Nações e 2.352 nos dois sentidos da Nuno, totalizando 4.730. 

‘Jogaremos os cavaletes no rio’

Corretor de imóveis, Nelson Saes, 78 anos, está encabeçando abaixo-assinado que será encaminhado ao Ministério Público cobrando apuração do contrato e penalização dos culpados pela morosidade na obra da Nuno. “Temos mais de 100 assinaturas”, garante.

Ele mora a menos de 200 metros do trecho atualmente interditado e promete que, se em 15 dias o local não for liberado, os moradores vão desbloqueá-lo por conta própria. “Jogaremos os cavaletes no rio”, disse.

O autônomo João da Silva Filho, 47 anos, observa que a interdição infringe direitos dos cidadãos. “É um cerceamento do direito de ir e vir das pessoas. As providências precisam ser tomadas com urgência”.    

DAE avaliará possibilidade

Em nota, o DAE aponta que ainda não foi informado formalmente da intenção da Secretaria de Obras em executar a aplicação do asfalto nos mencionados trechos, razão pela qual a possibilidade será avaliada.

“Os pedidos de aditivo em andamento são relativos a replanilhamento, reajuste contratual e realinhamento.  Todos serão analisados com base na legislação vigente e, após a verificação, serão averiguadas as possibilidades de formalização ou não desses aditivos”, apontou a autarquia.