10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dólar alterna sinais e fecha em baixa de 0,11%; bolsa recua 1,68%

Por Fabrício de Castro, Paula Dias e Renata Pedini | AE
| Tempo de leitura: 4 min

O mercado de câmbio foi bastante influenciado pelo Exterior nesta quinta-feira (5). O dólar alternou altas e baixas e terminou o dia cotado a R$ 3,5405 no mercado à vista, em baixa de 0,11%.

O mercado iniciou o dia com a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki tinha afastado o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do mandato de deputado federal. Em um primeiro momento, o fato foi considerado positivo para o vice-presidente Michel Temer. Isso porque, como a imagem de Cunha está desgastada, seu afastamento daria mais credibilidade à chegada de Temer ao poder. Por outro lado, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, confirmou a intenção de, baseado na decisão de Teori, pedir a anulação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff - conduzido por Cunha.

Com isso, o dólar acompanhou essencialmente o mercado internacional, onde a divisa operou em baixa frente a várias moedas. Nos momentos em que o petróleo registrou ganhos firmes, a moeda americana se reaproximou dos R$ 3,50 e, quando a commodity reduziu o ímpeto, a cotação se afastou deste patamar.

Em alguns momentos, importadores aproveitaram os preços mais baixos para comprar moeda, o que deu algum suporte às cotações. No fim da manhã, o dólar chegou a virar para o positivo, na esteira da perda de fôlego do petróleo no exterior.

O Banco Central não promoveu leilões de swap cambial reverso, que geram pressão de alta sobre as cotações. No mercado futuro, o dólar para liquidação em junho fechou em baixa de 0,24%, cotado a R$ 3,566.

Bovespa - A combinação entre incertezas com o cenário político e o mau humor do mercado internacional levou a Bovespa a fechar em queda de 1,68% nesta quinta-feira, aos 51.671,04 pontos. Pela manhã, o Índice Bovespa chegou a subir 0,99%, mas perdeu fôlego e, no pior momento, chegou a cair 2,36%.

Os mercados iniciaram o dia com a notícia do afastamento de Cunha por Teori. E a Bovespa passou a perder fôlego após Cardozo confirmar a intenção de, baseado na decisão de Teori, pedir a anulação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff

Segundo profissionais do mercado de renda variável, as ações que melhor demonstraram o risco político foram justamente as que exibiram melhora com os avanços do impeachment, como as da Petrobras. Os papéis da estatal terminaram o dia em baixa de 2,47% (ON) e de 1,11% (PN), mesmo com o petróleo em alta. Na Nymex, o petróleo subiu 1,23%, enquanto na ICE houve avanço de 0,87%.

As ações do setor bancário também sentiram a influência do cenário político e voltaram a cair, após uma breve recuperação na véspera. Itaú Unibanco PN teve queda de 1,49% e Bradesco PN recuou 2,51%. No pior momento, à tarde, o Ibovespa chegou à mínima de 51.311 pontos, com queda de 2,36%. Na véspera, havia subido 0,56%. O volume financeiro totalizou R$ 5,79 bilhões, considerado baixo, o que reforça a tese da cautela do investidor Mesmo com a queda de hoje, o índice ainda guarda valorização acumulada de 19,20% em 2016.

Taxas de juros - Os juros futuros de curto prazo encerraram a quinta-feira com ligeiro viés de alta, após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmar indicação dada anteriormente pelo BC de que não há espaço para um corte da Selic na próxima reunião do colegiado, em junho. Houve uma redução das apostas nessa possibilidade, segundo operadores. As taxas curtas, contudo, ainda mostram chance de afrouxamento monetário a partir do segundo semestre. Já os juros de longo prazo caíram, numa reação clássica à resistência dos curtos. A volatilidade do dólar chegou a influenciar o mercado vários momentos.

Ao término da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 indicou 13,680%, ante 13,665% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2018, 12,78% (12,80% no ajuste anterior). O DI para janeiro de 2021 apontou 12,53%, na mínima, ante 12,63% no ajuste da véspera

De acordo com um operador, a ata "enfraqueceu as apostas de queda na próxima reunião". O economista-sênior do banco Haitong, Flávio Serrano, concordou que a ata indica estabilidade de curto prazo. "Mas o BC não se compromete quanto ao tempo", ponderou, acrescentando que o mercado se antecipa, precificando cortes da Selic a partir do segundo semestre, por prever uma evolução favorável do cenário de inflação.

Na ata, o Copom reiterou que "adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN, em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017". "Nesse contexto, ressalta que o cenário central não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias", continuou o texto. A projeção de inflação pelo IPCA em 2017 caiu no cenário de referência e está ao redor da meta de 4,5%, segundo o BC.