Venho aqui no legítimo direito de me manifestar sobre um artigo de um senhor chamado Vagner, professor de Engenharia da Unesp, sobre um texto publicado sexta-feira e de minha autoria. Em primeiro lugar, questiono o termo “Réplica” a um artigo que não foi direcionado a ele, mas sim à atual conjuntura política brasileira. Réplica, na realidade, é aquilo que agora redijo. Mas o termo “réplica” é apenas uma das tantas incongruências de seu texto. Trata-se, na verdade, de uma irremediável confusão de ideias que vão de uma suposta impostura de minha parte ao defender a Democracia e o Estado de Direito (junto aos meus alunos) passando pelo mar profundo do desconhecimento de aspectos básicos da economia brasileira e da História de nossa nação.
Para além das qualidades de empresário e historiador, também sou especialista em mercado financeiro, em especial em derivativos. Trabalhei por cinco anos em bancos internacionais em Tóquio e Londres e sei muito bem do que estou falando quando afirmo em meu artigo ser a crise das commodities a razão verdadeira para a crise brasileira. O seu resultante é o déficit público.
Por mais de vinte anos estudo economia e diria ao prezado engenheiro que se ele quer viver em um país sem crises cíclicas e sem descompasso entre orçamento e receita efetiva, sugiro que ele se mude para Cuba ou para a Coréia do Norte. Pois qualquer economia capitalista de mercado apresenta essas características.
Ainda assim, muito me admira um professor de uma universidade pública paulista falar em responsabilidade fiscal quando é justamente essa a falácia comumente utilizada pelo nosso governador para dar ajustes de zero por cento nos salários de seus colegas de trabalho. Corretamente os professores refutam essa falácia usando prerrogativas do bom senso (legítimas) como o fato de que um suposto déficit no orçamento será compensado com o avanço em pesquisas e melhores condições de trabalho. Esses argumentos sempre vencem na Justiça do Trabalho, não antes de longos períodos de greve.
Assim, verá o engenheiro que seus argumentos, em última análise, se revertem em seu próprio prejuízo e se fundem com sua incapacidade de estabelecer uma linha cartesiana de pensamento. Mas, na realidade tudo isso é apenas um pretexto para a sua verdadeira intensão, qual seja: desaguar seus preconceitos reacionários na imagem do Partido dos Trabalhadores e na esquerda como um todo.
Nesse ponto adentramos naqueles velhos jargões de que houve “estelionato eleitoral” em 2014, que o PT quer “manchar de vermelho nossa bandeira”, que o “golpe de fato foi dado pela Dilma, que é mentirosa”, enfim, toda uma série de lugares comuns que não fizeram parte do meu artigo original e nem mesmo está em discussão no universo do processo de impeachment. O caro engenheiro simplesmente revela fazer parte da massa despolitizada e inconformada como a derrota eleitoral em 2014, a qual apontei na sexta-feira nesse mesmo jornal.
Os méritos argumentativos de meu artigo, assim, ficam como estão: irrefutáveis. Desafio qualquer jurista, advogado ou engenheiro a debater publicamente sobre o tema do golpe de Estado em curso, em qualquer local, com qualquer plateia e em qualquer data. Por hora, apenas restam aos golpistas se conformarem com a crítica roedora dos ratos...