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| Na entrada da área foi esticada bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) |
Cerca de mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram na manhã dessa segunda-feira (9) uma fazenda em Duartina (38 quilômetros de Bauru). O grupo alega que a propriedade é usada pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), para “conspirações golpistas”.
A ocupação da Fazenda Esmeralda, que tem cerca de 1.500 hectares e fica a oito quilômetros do Centro, ocorreu por volta das 6h. De acordo com a polícia, os sem-terras chegaram em 20 ônibus, vindos de diferentes regiões do estado.
Na propriedade, que estaria registrada em nome do arquiteto João Baptista Lima Filho, conhecido como “Coronel Lima”, e da empresa da qual ele é sócio, a Argeplan Arquitetura e Engenharia Ltda., são produzidos eucaliptos.
Segundo o MST, o ato visa denunciar o que eles chamam de “conspirações golpistas” de Temer, “muitas vezes articuladas de dentro da propriedade”. Com a ação, os sem-terras também buscam retomar a pauta da reforma agrária.
Em nota, o grupo ressalta que, “apesar de não constarem registros documentais em nome de Temer”, todos os moradores de Duartina sabem que ele é o “verdadeiro dono da área”.
“Além de sediar atividades regionais do PMDB, a propriedade funcionou como QG das articulações golpistas do vice, que esteve no local no último dia 1º de maio”, revela.
Os sem-terras também criticam o cultivo de eucalipto no local por entender que ele é prejudicial ao solo. “A ocupação dessa fazenda é para denunciar a intervenção do agronegócio na articulação do golpe”, declara Kelli Mafort, da direção nacional do MST.
Outro lado
Por meio de sua assessoria de imprensa, o vice-presidente Michel Temer declarou que não possui nenhuma propriedade na área rural.
Em nota, João Baptista Lima Filho disse que a Argeplan existe há mais de 40 anos, tem mais de 700 projetos de expressão realizados e exerce suas atividades com notória capacidade técnica. “As propriedades rurais em questão foram adquiridas de maneira regular, a partir de 1986, sendo produtivas”, afirma.
“Todas as áreas de propriedade da Argeplan e do Sr. João Baptista Lima Filho são absolutamente regulares, assim como são as atividades produtivas nelas desenvolvidas, respeitando o meio ambiente e as relações de trabalho, observando absolutamente a legislação”.
O arquiteto pontuou, ainda, que não houve qualquer resistência à invasão e que ele e a empresa estão avaliando quais as providências que serão adotadas.