10 de julho de 2026
Regional

MST invade fazenda de Duartina que seria utilizada por Temer

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

PC Notícias
Na entrada da área foi esticada bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

Cerca de mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram na manhã dessa segunda-feira (9) uma fazenda em Duartina (38 quilômetros de Bauru). O grupo alega que a propriedade é usada pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), para “conspirações golpistas”.

A ocupação da Fazenda Esmeralda, que tem cerca de 1.500 hectares e fica a oito quilômetros do Centro, ocorreu por volta das 6h. De acordo com a polícia, os sem-terras chegaram em 20 ônibus, vindos de diferentes regiões do estado.

Na propriedade, que estaria registrada em nome do arquiteto João Baptista Lima Filho, conhecido como “Coronel Lima”, e da empresa da qual ele é sócio, a Argeplan Arquitetura e Engenharia Ltda., são produzidos eucaliptos.

Segundo o MST, o ato visa denunciar o que eles chamam de “conspirações golpistas” de Temer, “muitas vezes articuladas de dentro da propriedade”. Com a ação, os sem-terras também buscam retomar a pauta da reforma agrária.

Em nota, o grupo ressalta que, “apesar de não constarem registros documentais em nome de Temer”, todos os moradores de Duartina sabem que ele é o “verdadeiro dono da área”.

“Além de sediar atividades regionais do PMDB, a propriedade funcionou como QG das articulações golpistas do vice, que esteve no local no último dia 1º de maio”, revela.

Os sem-terras também criticam o cultivo de eucalipto no local por entender que ele é prejudicial ao solo. “A ocupação dessa fazenda é para denunciar a intervenção do agronegócio na articulação do golpe”, declara Kelli Mafort, da direção nacional do MST.

Outro lado

Por meio de sua assessoria de imprensa, o vice-presidente Michel Temer declarou que não possui nenhuma propriedade na área rural.

Em nota, João Baptista Lima Filho disse que a Argeplan existe há mais de 40 anos, tem mais de 700 projetos de expressão realizados e exerce suas atividades com notória capacidade técnica. “As propriedades rurais em questão foram adquiridas de maneira regular, a partir de 1986, sendo produtivas”, afirma.

“Todas as áreas de propriedade da Argeplan e do Sr. João Baptista Lima Filho são absolutamente regulares, assim como são as atividades produtivas nelas desenvolvidas, respeitando o meio ambiente e as relações de trabalho, observando absolutamente a legislação”.

O arquiteto pontuou, ainda, que não houve qualquer resistência à invasão e que ele e a empresa estão avaliando quais as providências que serão adotadas.