11 de julho de 2026
Nacional

Senado cassa Delcídio Amaral por 74 votos a 0


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Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Delcídio do Amaral e seus advogados não compareceram à sessão, que quase não teve discursos e debates acerca do tema cassação

Em uma sessão rápida e com quase nenhum debate, ao menos sobre o caso em questão, o Senado aprovou na noite dessa terça-feira (10) a cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) por quebra de decoro parlamentar por 74 votos favoráveis e 1 abstenção. Nenhum senador votou contra. Ele fica, a partir de agora, inelegível por oito anos, embora a defesa do senador prometa recorrer à Justiça da decisão.

Conforme o rito estabelecido, primeiro falaram os dois relatores do processo no Senado. Telmário Mota (PDT-RR), que elaborou o parecer no Conselho de Ética, e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Depois foi a vez de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), representando o partido autor da representação que pediu a cassação do senador.

Embora tenha sido dado tempo para a manifestação da defesa, Delcídio e seus advogados não compareceram à sessão. Para que fosse escolhido um defensor dativo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), suspendeu os trabalhos por alguns minutos.

Quem leu a defesa de Delcídio foi Danilo Aguiar, consultor-geral do Senado. Ele reiterou os argumentos utilizados pelos advogados do senador nos colegiados na tribuna do plenário. Não foi interrompido. Também não teve a atenção dos senadores que passaram a sessão em conversas paralelas e pouco prestaram atenção ao que se dizia sobre o caso do petista.

Após cinco meses e meio afastado do Senado, Delcídio voltou à Casa pela primeira vez anteontem para se defender pessoalmente em uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça.

O ex-petista chegou a dizer a jornalistas que retomaria seu trabalho normalmente na Casa e que iria convencer seus pares de que a punição com a cassação do mandato era excessiva.

Suplente

Com a cassação de Delcídio, o primeiro suplente dele, o empresário Pedro Chaves dos Santos Filho (PSC-MS), 75 anos, será chamado a tomar posse no Senado. Ele terá 30 dias para assumir o mandato. Até o final dessa terça-feira (10) não havia sido informado se ele estará na sessão desta quarta-feira (11), que irá votar o processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Pedro Chaves fez fortuna no ramo da educação, mas também é ligado ao agronegócio. Além do bom trânsito no mundo dos negócios, Chaves é ligado à família do pecuarista José Carlos Bumlai, apontado como amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pecuarista foi preso por suspeitas de envolvimento na operação Lava Jato.