09 de julho de 2026
Geral

Mulheres mostram sua força na Polícia Militar

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Polícia Militar/Divulgação
Primeiro pelotão feminino na cidade foi formado em 1987, com 55 profissionais 
Malavolta Jr.
Cabo PM Priscilla Pollini durante aula do Proerd, na Escola Estadual Silvério São João

Em 12 de maio de 1955, o Estado de São Paulo passou a contar com a presença feminina nos quadros da Polícia Militar (PM). A data virou sinônimo do Dia do Policial Militar Feminino e nesta quinta-feira (12), inclusive, o 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), em Bauru, vai prestar uma homenagem às mulheres da corporação.

A participação feminina começou de forma discreta e foi crescendo pouco a pouco. Atualmente, só no 4.º BPM-I, que atende Bauru e região, são 52 mulheres. A primeira turma feminina formada na cidade foi em 1987, e, hoje, as oficiais estão presentes em setores como o Policiamento Motorizado, Policiamento Escolar, Força Tática, atendimento nas Bases Comunitárias, no Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência (Proerd), além de patrulhamento de eventos, no Setor de Inteligência, escolta de presos e funções administrativas.

Tático

A cabo PM Patrícia Gonçalves Pereira, de 46 anos, está há 20 na polícia. Atualmente, é a única mulher na Força Tática no Batalhão bauruense. “Entrei em 1996, quando abriu um concurso e meu marido Douglas me incentivou a prestar. Até então eu nunca tinha pensado em ser policial. Mas passei, consegui boas notas no curso de formação e fiquei em Bauru. Na época, eu já era casada e tinha filhos. Comecei no Trânsito, depois fui para a 1ª Cia., já atendendo outros tipos de ocorrência, e há oito anos estou na Força Tática”.

Patrícia não vê distinção entre seu trabalho e o dos homens na corporação. “Sempre fui respeitada pelos meus colegas e junto à população. Todas as funções que eles fazem eu desempenho também. As pessoas ainda têm muita curiosidade ao ver uma mulher no Tático, em meio a vários homens. Acho que chama mais a atenção das crianças, talvez porque a mulher tenha esse olhar mais sensível, um pouco de mãe mesmo”, cita.

Mãe de três filhos e avó de um menino de 4 anos, ela diz que toda situação envolvendo crianças são marcantes. “Em 1999, atendi um atropelamento no Mary Dota e a criança morreu na hora. Aquilo me marcou muito, porque a gente que é mãe, e agora avó também, sempre pensa nisso, se emociona”, relata. “E já tive muitos atendimentos de ocorrência que acabaram bem. Quando conseguimos devolver algo que foi roubado e prender o ladrão, a gente vê a satisfação na pessoa que foi atendida, porque isso é parte do nosso papel também”, aponta.

Contra as drogas

Você sabia?

Há 61 anos, quando o Estado de São Paulo passou a contar com a presença feminina nos quadros da Polícia Militar (PM), eram inicialmente apenas 13 mulheres em atuação na corporação paulista

Outra representante das mulheres no 4º BPM-I é a cabo PM Priscilla Pollini, de 33 anos, e que há 12 anos está na Polícia Militar, sendo os quatro últimos atuando também no Proerd. E orientar crianças e adolescentes é uma atividade prazerosa, garante Priscilla. “A gente procura passar todo tipo de informação de prevenção às drogas, e vemos um retorno positivo. Nas redações, ao final dos cursos, é até emocionante ver, pois a maioria aprende bem. E muitas mães nos agradecem também, pois as crianças enxergam a figura do policial militar com respeito, elas ouvem o que a gente fala”.

O curso do Proerd atendeu 4.107 crianças e adolescentes (entre o 5.º e o 7.º ano do ensino fundamental) em Bauru e região ao longo de 2015. “Atendemos escolas públicas estaduais e municipais, e nos últimos anos estamos recebendo muitos pedidos das escolas particulares também, que são atendidas dentro das possibilidades”, acrescenta.

Bauruense e mãe de uma garota de 5 anos, Priscilla começou trabalhando em São Paulo, onde atuou na Rocam. Quando foi transferida para Bauru, foi para a Ronda Escolar e agora também ministra aulas no Proerd. “O público escolar, que vai desde as crianças até a universidade, engloba vários tipos de situação.vemos coisas positivas mas, infelizmente, ainda muito uso de drogas. Então, esse trabalho de prevenção é fundamental, e vemos que, aos poucos, vai dando certo. Eu percebo que as crianças recebem bem, acho que uma mulher na sala de aula acaba sendo a figura materna para eles, mais familiar”, conclui.

Serviço

As homenagens às policiais femininas ocorrem nesta quinta-feira (12), a partir das 9h, na sede do 4.º BPM-I, na quadra 3 da avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, próximo ao Hospital Estadual.