09 de julho de 2026
Cultura

Fidelidade canina a...Cannes


| Tempo de leitura: 3 min

Yves Herman/Reuters
Woody Allen, Kristen Stewart e Jesse Eisenberg na abertura

O tradicional Festival de Cannes começou nessa quarta-feira (11) e segue até dia 22 com um forte clima de nostalgia, embalado pelo mais novo romance cômico do diretor Woody Allen, “Café Society”, uma ode à era de ouro da Hollywood dos anos 1930.

O filme marca a terceira vez que uma obra de Allen abre a mostra de cinema, fora da disputa pela Palma de Ouro.

“Não acredito em competições artísticas. Não dá para dizer se Matisse é melhor do que Picasso”, afirmou o cineasta nova-iorquino de 80 anos.

Jesse Eisenberg vive Bobby, jovem que sai da casa dos pais, em Nova York, para tentar a carreira em Hollywood, onde seu tio, o extravagante Phil (Steve Carrell), é um bem-sucedido executivo. Na costa oeste, Bobby se apaixona por Vonny (Kristen Stewart), moça nada deslumbrada com o brilho de Los Angeles.
Mais ao estilo da sua penúltima obra, a comédia “Magia ao Luar” (2014), do que da última, o drama “O Homem Irracional” (2015), “Café Society” evoca alguns dos temas recorrentes da obra do diretor: dilemas amorosos, gângsteres, culpa, tiração de sarro sobre judeus. “Cresci nesse ambiente”, disse Allen.

Elas dizem “não”

O cineasta nova-iorquino também fez piada sobre esse seu recente filme girar em torno de um romance. “Sou um sujeito romântico, ainda que as mulheres com quem convivi não concordem.”

O filme marca a primeira investida de Woody Allen com a mídia digital. “É a mesma coisa que o celuloide: existe uma câmera e ela tem de ser ligada”, disse. O diretor elogiou Stewart, a musa “alleniana” da vez: “O papel pedia uma garota que começasse adorável e terminasse elegante. Kristen parecia crível”.

Yves Herman/Reuters
 Diretor George Miller, presidente do júri desta edição 69 do evento

Viva a controvérsia

A abertura da 69ª edição do Festival de Cannes na cidade litorânea francesa foi marcada por piadas dos membros do júri e perguntas sobre uma possível parcialidade dos jurados, além de homenagem ao cantor Prince – morto há três semanas. Presidente do grupo de nove jurados da competição oficial de Cannes, o cineasta George Miller (da franquia “Mad Max”) disse que decisões controversas são esperadas. “Somos um monstro de nove cabeças, cada um com uma opinião”, disse o diretor australiano. “Tenho certeza de que haverá pressão para que certos filmes sejam premiados, mas não levaremos isso em conta. Uma vez ouvi: ‘A decisão do júri só é interessante quando é controversa’.

Nacional ‘Aquarius’ compete

Divulgação
Sonia Braga está em filme nacional que concorre ao prêmio

A 69ª edição do Festival de Cannes começou nessa quarta-feira (11), no sul da França – e além de aguardadas projeções que estarão fora da mostra competitiva o evento irá exibir 21 filmes que disputam a Palma de Ouro em 2016. Inclusive, como já noticiado, o longa brasileiro “Aquarius”, do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho, estrelado por Sonia Braga. É o primeiro nacional a buscar a Palma de Ouro em oito anos.

O Brasil ganhou única vez em Cannes com “O Pagador de Promessas” (1962). Na seleção oficial, Pedro Almodóvar faz sua quinta tentativa de vencer a competição com Julieta, drama sobre uma mãe que confronta seu relacionamento difícil com a filha. Ao lado do espanhol, o iraniano Asghar Farhadi concorre ao troféu com o longa The Salesman, enquanto o ator americano Sean Penn apresenta The Last Face, sua nova investida como diretor.  Destaque na edição de 2014 do festival, o canadense Xavier Dolan volta aos holofotes de Cannes com Juste La Fin du Monde, drama estrelado por Vincent Cassel, Marion Cotillard e Léa Seydoux.