08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Fusca X carroça

Jorge Hamilton Quatrina
| Tempo de leitura: 3 min

Amor à primeira vista... Foi assim que aconteceu, há trinta e seis anos atrás... Quando saí na porta da floricultura e vi aquele Wolksvagem, que meu irmão Sérgio acabara de trazer de São Paulo. Pensei: - Quem foi mais corajoso de percorrer 320 km pra chegar em Bauru pelas rodovias Castelo Branco e Marechal Rondon? Meu irmão ou o Fusca?


Assim começou a história. Meu saudoso pai Ardevino Quatrina (na família sempre os pais devem ter “ar divino”, este é o Propósito de Deus, ter uma família, com seus filhos todos iguais a Seu Filho Jesus!) comprou e me deu “de presente”. Pouco a pouco na vida fui entendendo o que é “presente”: - Quando a presença de quem “se deu”, de coração, de muito amor, se faz “presente”. Quem ganha “presente” não pode abandonar o “presente” deve se fazer “presente”, se interessar, cuidar, se unir ao presente (foi o que Jesus disse e “fez”: - Eu e meu Pai somos um!)


Os cuidados que tive com meu “fusqueta” (cada um deve cuidar do seu, por isso quem nunca teve não cuida, muitas vezes despreza,vira as costas... Acaba “sentindo prazer em dar o fusqueta“!) começaram desde a primeira pescaria que nós quatro (fusca, papai, Sérgio e eu) fizemos. Saimos de dia, mas ao voltar  ficou noite... Conhecemos que ele era 6 volts, seus faróis não iluminavam a estrada, cada carro que nos ultrapassava, apertavamos o acelerador pra poder acompanhar e aproveitar a claredade, foi aí que conhecemos a potência de seu motor... pois ele não “acompanhava” os carros por muitos quilômetros (daí deve ter o significado de kilos + metros...).


Com o tempo fomos nos conhecendo, fusca e eu, nos respeitando, dentro das minhas condições, fui capacitando as dele (assim Deus faz conosco, dia-a-dia, nos capacita...). Passou de 6 pra 12 volts, recebeu pintura e tapeçaria nova, onde nós paravamos alguém aparecia para querer nos separar com propostas de compra...


O tempo passou e o sucesso que fazíamos juntos virou um triângulo amoroso... Comecei a abandonar o fusquinha por um amor verdadeiro que me fez conhecer o que é viver de verdade... Conheci e me casei com Regina (me apaixono por ela mais e mais a cada dia), tanto é que de uma mulher hoje tenho mais duas... minhas filhas Sathya e Shanty.


Hoje o fusca se encontra parado na funilaria de um amigo, que só por Deus (tenha misericórdia!), através de São Cristóvão, para poder ser reformado, as prioridades de sobrevivência nos restringe a cada dia...


Me solidarizo com os carroceiros que tiveram seus direitos de andar pela cidade com seus animais, e suas carroças, pois bem antes de meu pai me “presentear” com o fusca, ele tinha uma charrete em Pirajuí, havia até “Ponto de Charrete" próximo ao campo de futebol municipal. Lembro-me de um passeio que fizemos e na volta, ao escurecer, a charrete corria tanto (...mais que o fusca!) que ele tirou a sua camisa pra me aquecer do friozinho que fazia! (jamais esquecerei!). Hoje as leis são aprovadas com o “coração frio”!