| João Rosan/JC Imagens |
| O cacique Tibúrcio Manoel Sobrinho dedicou 37 dos seus 86 anos de vida ao trabalho na ferrovia |
Tibúrcio Manoel Sobrinho, mais conhecido como cacique Tibúrcio, morreu após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), na última terça-feira (10) à tarde, em Bauru. Nascido no Pantanal, o índio chegou ao município graças ao seu trabalho de maquinista na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB). Inclusive, o homem era apaixonado pela ferrovia e dedicou 37 dos seus 86 anos a ela.
Líder dos terena da reserva de Araribá, em Avaí, por certo tempo, o cacique Tibúrcio nasceu na aldeia Ypeg, em Aquidauana, no Mato Grosso do Sul. Quando jovem, deixou sua terra natal para trabalhar como maquinista da NOB, em Bauru, onde conheceu a esposa Esther da Silva Sobrinho, de 84 anos, com quem dividiu a vida por exatos 64 anos e 9 meses. “Ele sempre colocou sua família e seu povo em primeiro lugar”, relata a mulher.
Inclusive, Esther relata que seu pai queria que ela viesse a Bauru para que não se casasse com um índio, mas o destino interferiu nessa decisão. “Conheci o Tibúrcio, que nasceu em uma aldeia vizinha à minha, fui mandada para Bauru com o intuito de encontrar um marido que não fosse índio e, na cidade, me casei com ele, que era índio. É a força do destino”, acrescenta a esposa do cacique.
Engajamento
Depois que se aposentou da NOB, Tibúrcio dedicou seu tempo às palestras e à defesa do povo indígena. Há 45 dias, porém, foi parar no hospital com ameaça de AVC. “Ele foi liberado, mas ontem (na última terça-10), acordou meio irritado, tudo o incomodava. À tarde, ele sofreu o AVC e não resistiu”, relata a esposa.
O cacique deixa a mulher, cinco filhos (Jupira, Gildinei, Ricardo, Fabrício e Gildson), dez netos e 14 bisnetos. O corpo do homem foi enterrado nessa quarta-feira (11) à tarde, no Cemitério do Memorial Bauru.