| Renan Casal |
| Gastão Debreix com seu livro de poesia visual (à esq.) e catálogo da mostra “Artéria 40 anos” |
Nem só de versos é feita a poesia: ela pode ter formas, imagens, tipologias, cores e significados que vão além da leitura. Ou seja: ser visual.
O gênero tem entre suas principais referências a publicação “Artéria”, que nasceu em Pirajuí (SP) em meados da década de 1970, foi para São Paulo e se tornou a exposição “Artéria 40 anos”, que deixa essa semana o Rio de Janeiro e chega à capital paulista no sábado (14) no espaço Caixa Cultural.
O artista plástico Gastão Debreix, que participa da “Artéria” desde a edição 5, lançada em 1991, estará na abertura da mostra amanhã e, no dia 18 de junho, no mesmo local, faz oficina de poesia visual gratuita para 30 participantes.
“Serão quatro horas de curso. Vou falar sobre meu processo criativo, iniciação na ‘Artéria’ e propor a criação de poesias usando de papel, tesoura e cola a aparelhos de celular”, antecipa. Na mesma data haverá o lançamento da “Artéria” 11, que traz a poesia visual “WhatsApp”, de Gastão.
“Pedi para amigos músicos colocarem som do aplicativo em partitura e fechei em uma constante, para dar a ideia de infinito. Formou um alvo e dá para ver outras coisas na imagem, como uma figura humana. A ‘viagem’ vai de cada um”.
Para pensar
A poesia visual ou intersemiótica é um dos desdobramentos do concretismo. Além do valor estético, costuma ser provocativa e fugir do óbvio.
“Parece simples, mas tem que pensar um pouco para chegar ao seu significado, que geralmente é complexo”, comenta Gastão, que se define como um poeta-designer e atua também como instrutor artístico da Divisão de Ensino às Artes (DEA), da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru.
“Gosto de tipologias, estou sempre à procura de palavras dúbias e letras que possa explorar o aspecto gráfico, seja num guardanapo de bar ou papel milimetrado”.
O interessante também nesse estilo são as inúmeras possibilidades de interpretação e até interação com a poesia: algumas devem ser manuseadas como objetos, outras só podem ser lidas virando o papel em determinado sentido. Essas particularidades podem ser vistas no livro “Gastão Debreix: razão e sensibilidade”, disponível gratuitamente no site https://www.issuu.com.
“Fazer poesia visual e ter sido acolhido pela família da ‘Artéria’ fez minha cabeça se abrir para o mundo e foi fundamental no desenvolvimento do meu trabalho”, conclui.
Sobre a exposição
A mostra coletiva “Artéria 40 anos” reúne mais de 60 obras, entre serigrafias, adesivos, objetos, vídeos, áudios e plataforma digital interativa, além das 10 edições originais da revista “Artéria”. A curadoria é dos poetas, editores e colecionadores Omar Khouri e Paulo Miranda, que encabeçam a publicação desde que foi criada em Pirajuí.
A exposição, aberta sábado às 11h com visita-guiada pelos curadores e lançamento do catálogo, segue até o dia 17 de julho com entrada gratuita no espaço Caixa Cultural de São Paulo (Praça da Sé, 111 – Centro). A visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 9h às 19h. Informações: (11) 3321-4400. A produção é do Espaço Líquido Audiovisual e Editora, com patrocínio da Caixa Econômica Federal.