08 de julho de 2026
Regional

Agropecuária para os mais jovens

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Alunas da Escola Técnica Astor de Mattos Carvalho de Cabrália Paulista aprendem na prática no curso de agropecuária em estabelecimento de ensino que funciona numa fazenda com toda estrutura  

O Brasil é um país privilegiado. Tem terra em abundância e muita água. A agricultura é um dos itens que vem sofrendo transformações rápidas e que pode, num futuro próximo, se tornar a melhor saída para a economia. Mas para isso precisa com urgência preparar profissionais que abandonem o amadorismo e abracem o profissionalismo. Uma parceria entre o Sindicato Rural de Bauru, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Mosteiro Imaculada Conceição São José e Prefeitura de Piratininga viabilizou um curso que pode ser considerado o primeiro passo para que o jovem se torne agricultor. Em Cabrália Paulista, a Escola Técnica (Etec) Astor de Mattos Carvalho também oferece cursos para habilitar os jovens para o trabalho no campo.

A ideia vai além de fixar o jovem nas pequenas propriedades rurais dos pais ou avós. Ela pretende abrir um leque de opções profissionais para uma área que tem uma demanda maior de empregos do que as tradicionais. Mensalmente, só em Cabrália Paulista são cinco vagas para técnicos que não são preenchidas, comenta a diretora da Etec, Gláucia Rachel Branco Castro. “Não conseguimos preencher mensalmente as vagas. Os técnicos começam ganhando R$ 1,2 por mês.”

A diretora lembra que a escola existe desde 1968 e já formou muitos jovens. “Alguns ex-alunos hoje são professores aqui. Eu acredito que esse seja um caminho para o país. Inclusive o maior banco de empregos que temos é na área agrícola. Não conseguimos abastecer a demanda porque muitos que saem daqui vão direto para a faculdade. Nem todos chegam a trabalhar como técnico. Na região tem muito espaço para o técnico agrícola. Na área de vendas de produtos agropecuários, nas plantações de eucalipto, cana, laranja e os frigoríficos que trabalham com carne.”

O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, incentiva a iniciativa e explica que o curso de um ano é como se fosse um primeiro estágio que esse jovem terá em contato com as coisas do campo. “Não é possível mais amadorismo, precisamos de profissionais. Nós oferecemos as primeiras lições. Depois eles vão crescer e podem ir para uma universidade de agronomia ou veterinária. A ideia ainda tem falhas que vamos corrigindo no meio do caminho. Está muito difícil encontrar jovens no meio rural, eles querem viver na área urbana.”

Na opinião dele, com esses cursos o Senar cria novas profissões onde há carência de mão de obra. “Ao criar novas profissões está criando uma série de coisas. O Senar tem 500 cursos especializados. Muitos desses adolescentes nem vão ficar por aqui. Nós temos potencial para pequena horticultura, fruticultura. Esses jovens terão, no final do curso, um conhecimento maior do que se ficassem andando por aí sem qualquer atividade.”

Na opinião dele, o agronegócio no Brasil é essencial para o seu desenvolvido. “Nossos grãos, especialmente o milho e a soja têm espaço garantido nas exportações. Cerca de 60% de nossa exportação é de soja. O milho é o segundo produto depois da carne. Tanto a soja como o milho estão com preços bem elevados. Os pesquisadores desenvolveram variedades que podem ser plantadas na nossa região. A soja está chegando por aqui.”