Uma metáfora sobre o Brasil da corrupção e do cinismo, além de um denso retrato de sua personagem principal, “Aquarius”, filme de Kleber Mendonça Filho, é uma “rica e misteriosa” história de desintegração social, na avaliação do conceituado jornal britânico “The Guardian”.
O filme, único brasileiro na disputa pela Palma de Ouro, recebeu uma enxurrada de elogios da imprensa internacional logo após a sua exibição no Festival de Cannes nesta terça-feira (17). A crítica de Peter Bradshaw, do “Guardian”, dá quatro estrelas (de um total de cinco) ao longa. Para o autor do texto, o filme peca apenas ao recorrer, no fim da trama, a um certo “deus ex machina” - expressão que define resolução inverossímil a um problema dramático.
O também britânico “The Telegraph” diz que “Aquarius” fará qualquer um querer se mudar para o Brasil e destaca a atuação de Sonia Braga, que vive Clara, uma crítica de música aposentada e viúva às turras com uma construtora.
“Braga foi presenteada com um papel denso e multifacetado, e ela mergulha nele com maestria brilhante”, afirma a publicação.
A revista “Variety”, dos EUA, também elogia o trabalho da atriz, a quem classifica como “incomparável”, e define Mendonça Filho como “nova importante voz do cinema brasileiro”.
A publicação prevê ainda que o longa provavelmente será aclamado em festivais, mas pode sofrer resistência de distribuidores por causa de seu tempo de duração - duas horas e 25 minutos. O Brasil ganhou a Palma de Ouro uma vez: em 1962, por “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte.
‘Golpe’
Mendonça Filho e parte da equipe aproveitaram Cannes para exibir placas de protesto contra o que entendem ser um “golpe de estado” no Brasil em alusão à chegada interina de Michel Temer ao poder.