| Neide Carlos/JC Imagens |
| Armamentos e objetos apreendidos em tentativa de roubo frustrado pela Polícia Militar dessa quarta-feira (18), em empresa localizada no Parque Paulista |
| Neide Carlos/JC Imagens |
| Kleber Granja: “A descapitalização do traficante implica de forma direta e indireta em uma tendência de aumento de crimes” |
Bauru registrou pelo menos nove roubos entre 14h30 da última terça-feira (17) e 14h30 dessa quarta (18). O número é quase cinco vezes maior do que a média diária contabilizada normalmente pela Polícia Civil. O setor de inteligência da Delegacia Seccional afirma que os assaltos em série podem ter tido como uma das principais “molas propulsoras” a apreensão de mais de 1,6 tonelada de entorpecentes na cidade, realizada, em sua maioria, pela Polícia Militar Rodoviária, nos últimos dias.
“A descapitalização do traficante implica de forma direta e indireta em uma tendência de aumento de outros crimes. Cresce o furto e roubos do nóia (usuário de entorpecentes) para pagar a droga que aumentou na “boca”, por conta da oferta e da procura, e da microtraficante, que precisa se capitalizar para pagar o traficante”, afirma o delegado coordenador do Centro de Inteligência da Seccional de Bauru, Kleber Granja.
“Foi uma situação atípica, mas não nos assustou mais porque a resposta da polícia foi imediata. Tão logo a PM identificou, intensificou o policiamento e junto à Polícia Civil lavrou quatro flagrantes”, completa o delegado.
Trio surpreendido
Entre os flagrantes citados, está o de um trio encapuzado e armado que foi preso ontem pela Polícia Militar enquanto rendia funcionários de uma empresa no Parque Paulista. Um vizinho do local notou a movimentação atípica e acionou o 190. Ao chegar ao estabelecimento, a equipe da PM abordou os bandidos em um escritório no piso superior da empresa, onde as vítimas eram ameaçadas sob a mira de armas.
Os três acusados, que tiveram apenas as iniciais dos nomes divulgados pela polícia, P.J.N., de 20 anos, L.L.D., de 19 anos, e J. G. S., de 20 anos, acabaram se rendendo. Um revólver calibre 32, um simulacro de pistola e uma faca foram apreendidos. Por sorte, ninguém ficou ferido.
Com os autores da tentativa de roubo estavam cinco celulares, aproximadamente R$ 1.700,00 em espécie, três notebooks, uma corrente de ouro e quatro folhas de cheque, totalizando R$ 2.875,00.
Três sorveterias
Entre as ocorrências que chamaram a atenção da polícia estão os roubos de três sorveterias ocorridos em menos de duas horas anteontem à noite. Os crimes ocorreram às 19h50, no Jardim Prudência, por um homem que tinha tatuagem da letra “E”; às 21h10, no Parque Fortaleza, por um homem que usava um capacete; e, às 21h30, no Jardim Vânia Maria, cometido por um homem e uma mulher. Todos portavam armas de fogo e fugiram levando quantias em dinheiro e também celulares.
“São crimes de ocasião. No período de frio, as sorveterias estão fechadas, geralmente, mas essas estavam abertas”, comenta Kleber Granja.
Padaria e abrigo
Uma padaria também foi alvo de bandidos armados no Jardim Petrópolis, por volta das 21h desta terça-feira. Nem mesmo um abrigo para idosos, no Jardim Bela Vista, escapou. Lá, por volta das 19h do mesmo dia, uma funcionária foi agredida com socos por um homem que pulou um muro para roubar pacotes de café e chá. Um motorista da unidade viu a agressão e acionou a PM. O criminoso acabou preso.
Outras três ocorrências de roubo, também da última terça-feira (17), envolveram pedestres, que foram assaltados ao longo da noite a mão armada entre às 21h e 21h40 no Jardim Petrópolis, no Jardim Vânia Maria e na Vila Lemos.
Conforme o JC divulgou nessa quarta-feira (18), uma dupla de assaltantes, em posse de uma arma e uma bicicleta, rendeu ao menos oito pessoas no início da tarde de terça-feira (17). Um deles foi preso na Vila Santista.
Bandido levava currículo
Com o rapaz preso na Vila Santista na última terça-feira (17), os policiais encontraram uma pasta com dois currículos em nome dos dois acusados dos roubos. Nos documentos, constava que Rafael Sthefano Rodrigues, de 19 anos, que foi preso, e Luiz Ricardo Venâncio, vulgo Neguinho, que seguia foragido até essa quarta (18), procuravam emprego nas áreas de padaria e construção, respectivamente. Essa, inclusive, foi uma das alegações que Rafael deu à polícia. Como não conseguiu emprego, diz ter partido para a criminalidade.
Em conversa com a reportagem, um irmão de Rafael lamentou a situação. “Faz tempo que ele entrou na criminalidade, por causa do vício. Eu e minha irmã temos sustentado ele”, comenta o rapaz.
Questionado sobre a possibilidade de a onda de crimes estar ligada ao atual quadro econômico e social do Brasil, o delegado Kleber Granka é enfático. “O problema sociocultural e econômico sempre foi um dos elementos que contribuíram para o aumento da criminalidade. A segurança pública sozinha não consegue resolver a questão”, afirma Kleber Granja.
“Mas essa história de currículo está mais para desculpa e disfarce, nesse caso, acredito”, finaliza Granja.