11 de julho de 2026
Polícia

Operação desarticula bando e alerta para venda de remédios "estragados"

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Douglas Reis
Somente em Bauru, foram apreendidas dezenas de caixas de remédios de alto custo
Um casal foi preso em Bauru e outras quatro pessoas, em Piratininga

Operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Polícia Militar (PM) resultou na prisão de 12 pessoas e na apreensão de grande quantidade de medicamentos de alto custo, na manhã dessa quinta-feira (19). Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelos responsáveis pela ação.

Somente em Bauru, foram cerca de R$ 4 milhões em remédios recolhidos em depósitos e residências de integrantes da quadrilha. Boa parte da mercadoria, destinada ao tratamento de câncer, estava armazenada de maneira precária, sem a devida refrigeração.

Em Bauru, um casal foi preso no bairro no Ferradura Mirim, acusado de ceder um imóvel da rua Jorge Schneyder Filho para abrigar parte do estoque de medicamentos. Uma grande quantidade de remédios também foi apreendida na rua Cuba, na Vila Independência, de acordo com a PM. Em Piratininga, mais quatro pessoas foram presas em Piratininga, incluindo o líder da associação criminosa.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, um mandado de prisão domiciliar e mandados de busca e apreensão em 37 endereços nas cidades de Bauru, Piratininga, Agudos, Arealva, Campinas, Jundiai?, Monte Mor, Ribeira?o Preto, Araraquara, Sa?o Paulo, Osasco, Guarulhos e Goia?nia (GO).

Segundo o Gaeco, a quadrilha mantinha uma empresa de fachada - sediada em Jacarezinho (PR) e registrada em nome de um “laranja” - e comprava medicamentos oriundos de furtos e roubos de carga ou de desvios de hospitais públicos e particulares, além de clínicas médicas, de diversos municípios. Uma das instituições lesadas seria a Santa Casa de Araraquara, que já afastou o funcionário suspeito de participar do esquema. Ele segue foragido.

Fraude

De acordo com os promotores, toda a mercadoria era adquirida ilegalmente de pessoas físicas e vendidas pela Internet principalmente a hospitais e clínicas, que compravam os produtos a preço abaixo do de mercado. Não há indícios, contudo, de que estas instituições soubessem da fraude.

A estimativa é de que o grupo agia há pelo menos seis anos, realizando vendas em todo o País via Correios, com faturamento médio de mais de R$ 500 mil ao mês. Durante a operação, ontem, cinco veículos, incluindo uma Range Rover avaliada em R$ 235 mil, foram apreendidos, assim como armas, dinheiro, computadores e documentos.

O Gaeco também pediu o bloqueio de imóveis e contas bancárias de nove integrantes da quadrilha, que comprovadamente não tinham outra fonte de renda que não a prática criminosa.

Todos os presos responderão por associação criminosa, crime contra a sau?de pu?blica e receptac?a?o dolosa qualificada. A operação envolveu sete núcleos do Gaeco no Estado de São Paulo e em Goiânia. Nessa quinta (19), somente em Bauru, foram nove agentes da Anvisa e 22 policiais militares mobilizados.

Investigações seguem

De acordo com os promotores, as apurações tiveram início há cerca de um ano, a partir de indícios de fraude detectados pelo setor de fiscalização da Anvisa, em Brasília (DF). Além dos presos, outras três pessoas, que realizavam tarefas secundárias no esquema, são investigadas. Agora, o trabalho continua para identificar o restante da cadeia que movimentava o esquema, incluindo as pessoas que furtavam ou roubavam os medicamentos de alto custo.

As apurações deverão ajudar a esclarecer quais instituições de saúde tiveram estoques desviados e quais receberam, inadvertidamente, os remédios comercializados irregularmente e armazenados de maneira inadequada – e que, eventualmente, foram usados para tratamentos.