11 de julho de 2026
Geral

Jovem de 21 anos morre após esperar três dias por vaga hospitalar, afirmam familiares

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Aceituno Jr.
Marco Antônio de Oliveira (foto abaixo) afirma que o filho Douglas Celusmiak (foto acima) deveria ter sido transferido antes

Familiares de um jovem de 21 anos que morreu na noite da última sexta-feira (20), no Hospital Estadual (HE) de Bauru, em decorrência de infecção generalizada, procuraram a reportagem do JC para reclamar da demora na liberação do leito de internação. Segundo eles, mesmo com a piora no quadro de saúde do paciente, ele ficou três dias na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Mary Dota, recebendo apenas soro e dipirona, até ser transferido para o hospital.

Douglas Celusniak de Oliveira morava no bairro Pousada da Esperança I e, segundo o pai, Marco Antônio de Oliveira, começou a apresentar sintomas como febre alta, mal-estar e dores no corpo há um mês e meio. Ele foi atendido na UPA do Mary Dota e, a princípio, o caso foi tratado como suspeita de dengue.

Há mais ou menos 20 dias, exames revelaram que ele era portador do vírus HIV. “Mandaram ele para casa, mas ele começou a piorar. Eu levei ele novamente lá, o fígado dele estava dando alteração e eles não internaram o meu filho”, conta. De acordo com Oliveira, Douglas passou pela UPA mais de 15 vezes.

Na última segunda-feira (16), o jovem deu entrada novamente na unidade de saúde e acabou internado. “Os órgãos dele estavam parando e eles deixaram meu filho lá até quinta-feira (19)”, revela. O pai afirma que a UPA só conseguiu uma vaga para o filho no Hospital Estadual quando ele ameaçou chamar a imprensa.

A transferência foi feita às 20h. Na sexta-feira (20), às 21h, o HE atestou a morte de Douglas por choque séptico (infecção generalizada). “Quando ele chegou no estadual, estava praticamente morto”, lamenta. “Quando a médica da UPA viu que o fígado dele estava alterado, tinha que ter internado ele e não ficar mandando para casa”.

A família do jovem informou que irá registrar Boletim de Ocorrência para que seja apurada uma suposta negligência por parte da UPA. “A gente não quer que isso aconteça com outras pessoas”, declara Oliveira.

Outro lado

O Hospital Estadual informou que a solicitação de vaga pela UPA à Central de Regulação de Oferta e Serviços de Saúde (Cross) foi feita no dia 17, e não para leito de UTI, mas para leito clínico.

Segundo o hospital, assim que Douglas deu entrada na unidade, foi imediatamente encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde recebeu todo o tratamento necessário. “Infelizmente, o paciente não resistiu”, afirma. “O hospital se solidariza com a perda dos familiares e está à disposição da família para quaisquer esclarecimentos”.

A reportagem telefonou várias vezes para o celular do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, para saber se pode ter ocorrido alguma falha por parte da UPA, mas ele não atendeu nem retornou as ligações.