O PT de Bauru é indubitavelmente uma caixa de surpresa e a última é o lançamento da candidatura do empresário da educação Carlos D’Incao à prefeitura. A candidatura tem sua validade e preenche o espectro da esquerda no campo ideológico, mesmo já tendo muita oferta - PSOL, Rede etc e pouca procura, considerando o histórico eleitoral bauruense.
Mas sobre esta candidatura, existem outros fatos curiosos. O primeiro é que D’Incao é um empresários, sem tradição política (exceto militar no PT) e foge ao estereótipo petista de líderes sindicais e/ou comunitários. Ao invés disto temos desta vez não só um empresário, como da área da educação e ainda de elite. E mais: seu perfil fere um dogma da esquerda da socialização da área da educação e saúde.
Além disto, o PT sempre teve votações desprezíveis na cidade, mesmo com o apoio político do governo federal e financeiro dos caciques do partido, nos últimos 13 anos, às candidaturas de Estela e tem o desgaste com os escândalos do governo federal e, como resultado, sem dúvida fora tanto do poder estadual como federal seja agora, seja em 2018. Ou seja, se não conseguiu no poder, como conseguiria se viabilizar fora dele.
Pessoalmente, o empresário da educação que, salvo engano, é formado em história, não observa a maior virtude do estudo da história ou seja, aprender com as lições dos fatos históricos brasileiros e mundiais recentes, evitando de repetir erros. Sendo indiscutível a decadência do PT e da esquerda como um todo, no Brasil, na América Latina e em todo mundo, a inviabilidade do comunismo e do socialismo como modelo econômico e político.
Posto isto é curioso, senão trágico, que o empresário efetivamente consiga se eleger e mais ter um mínimo de apoio na Câmara e se tudo isto não bastasse conseguir governar com um mínimo de sucesso com os mitos da esquerda e do PT tão marcantes em seus textos, mas desprovidos da mínima viabilidade eleitoral e administrativa.
O modelo de D’Incao que causou escândalo na defesa do indefensável (Lula, Dilma e PT) remando contra a maré, na contramão da história, é o do falem mal, mas falem de mim, mais no estilo da direita de Trump ou do velho Jânio Quadros e não da esquerda.