09 de julho de 2026
Geral

Emdurb já gasta mais do que arrecada neste ano e rombo pode ficar ainda pior

VINICIUS LOUSADA
| Tempo de leitura: 4 min

Após um déficit contábil de R$ 3,6 milhões no fechamento de 2015, a Emdurb já apresenta prejuízo de natureza financeira nos quatro primeiros meses deste ano, gastando mais do que arrecadou. Sem dispor de um plano consistente  para enxugar despesas, prestes a perder um dos serviços prestados à Prefeitura de Bauru,  contrariando medidas da equipe econômica do governo e apostando no incremento de receitas pouco significativas para suas contas, a empresa pública não apresenta perspectivas de reação até o final da gestão do prefeito Rodrigo Agostinho, em dezembro.

No primeiro quadrimestre, R$ 18.679.931,69 foram injetados nos cofres do órgão municipal, seja por meio dos contratos com a administração ou pela exploração de atividades como o estacionamento rotativo e o do Terminal Rodoviário, taxas de embarque e interdições de vias. Os gastos, por sua vez, foram de R$ 18.896.722,06.

A diferença negativa foi de aproximadamente R$ 216 mil. Apesar de pequena, está inserida num contexto de prejuízos constantes, na avaliação mês a mês. Em 2016, a Emdurb foi superavitária apenas em janeiro. Depois disso, sucederam-se déficits de R$ 527 mil, R$ 126 mil e R$ 324 mil, em fevereiro, março e abril.

Presidente da empresa, Nico Mondelli aponta que o quadro é comum na gestão pública, que costuma centralizar os investimentos e as compras necessários para o ano no primeiro quadrimestre.  “Fizemos tudo o que precisava”.


NÃO É POR AÍ
Na contramão do argumento, de janeiro a abril de 2015, apesar de apertadas, as contas da Emdurb apresentavam equilíbrio, pois o órgão arrecadou R$ 17.322.137,94 e gastou R$ 17.164.150,33.

“De qualquer forma, a determinação é que, a partir de agora, a gente reduza os gastos, com combustível, despesas fixas, variáveis, aquisição de equipamentos e onde mais a gente conseguir”, generaliza Mondelli.

Nico fala ainda na ampliação de receitas, mas, para alcançar resultados significativos, precisa majorar o volume de serviços prestados ou reajustar os valores dos contratos com a Prefeitura, que, por sua vez, também passa por momento de contenção de despesas.

Dessa forma, ao menos por enquanto, a Emdurb recorre a medidas que trazem pouco impacto para suas finanças, mas grande à população e aos visitantes de Bauru, como a ampliação das áreas de estacionamento rotativo e o aumento do valor dos talões (leia mais na página ao lado).


Presidente conta com ‘orçamento inexistente’

A Emdurb era remunerada em cerca de R$ 550 mil todos os meses para destinar o lixo doméstico de Bauru ao aterro sanitário municipal. O valor não contempla o serviço de coleta e deixará de ser pago ao órgão para que a Prefeitura de Bauru possa entregar os resíduos da cidade ao aterro particular de Piratininga, a partir da semana que vem. Nico Mondelli espera continuar recebendo esse valor, impulsionando outros serviços prestados à administração. O Executivo, no entanto, já cortou a destinação do dinheiro para a Emdurb.

“Não há como redirecionar esses recursos para outros serviços porque a prefeitura não tem verba para empenhar. Efetuamos o corte para conseguir pagar o aterro privado. Não tem como a gente assumir 100%. Eles terão que se ajustar”, declarou o secretário de Finanças, Marcos Garcia.

Nico, por sua vez, argumenta que a Emdurb já promoveu o contingenciamento apontado pela administração no início do ano, na ordem de R$ 4,4 milhões ante seu orçamento, inicialmente previsto em R$ 58,9 milhões. “Não mexem mais no meu orçamento. Trata-se apenas de uma questão interna da empresa, de saber quais serviços serão ampliados”, afirmou.

MEIO TERMO
Em meio  aos entendimentos antagônicos de Mondelli e Garcia, o prefeito Rodrigo Agostinho admite que a Emdurb terá que fazer ajustes, mas que será necessário firmar um novo contrato entre o órgão e a administração para que sejam mantidas as atividades necessárias no aterro sanitário.

“Ele continua gerando chorume, que precisa ser destinado. No mais, como os valores do contrato não eram reajustados desde 2014, a operação do aterro vinha sendo deficitária para a Emdurb. Vamos encontrar uma forma de equacionar para que ela termine o ano em azul”, avalia.

IMPACTO
Além de deixar de receber pela destinação final do lixo, a Emdurb acredita que gastará mais para transportar os resíduos até Piratininga. “Vamos monitorar os dois primeiros meses. Se for necessário, vamos pedir um reequilíbrio à prefeitura”, aponta Nico.

Só com pedágio, o órgão estima ter que desembolsar R$ 40 mil por mês, já que ainda não protocolou junto à Artesp o pedido de isenção de tarifa.