09 de julho de 2026
Geral

Evento busca angariar "famílias acolhedoras"

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

De 0 a 17 anos, todas as vítimas de violência no município são incluídas em um programa de acolhimento que concede mais do que um abrigo: elas ganham um lar com família. Em Bauru, no entanto, nem todas as crianças e adolescentes conseguem esse benefício porque o número de voluntários das chamadas famílias acolhedoras ainda é baixo em relação à demanda. É para divulgar esse serviço que a Ação Comunitária São Francisco de Assis (Acop) promove amanhã uma caminhada na Getúlio Vargas.

A 1.ª Caminhada Solidária terá concentração às 10h, na quadra 20 da avenida, em frente à sede da Polícia Federal, e deve se estender até as 12h, horário previsto de chegada dos participantes na Praça Portugal. O trajeto receberá a animação da banda Doze Cordas, que entoará sucessos do pop nacional e internacional.

“Estamos preparando algumas surpresas. A ideia é chamar a atenção para a causa”, antecipa Léo Couto, um dos vocalistas da banda.  

A Acop é uma das entidades conveniadas com o município que angaria, treina e cadastra famílias acolhedoras em Bauru. Além disso, é responsável por outros serviços como uma creche para crianças no Jardim Niceia e dois abrigos, também para crianças, na região do Jardim Prudência e do Núcleo Geisel. Mantém também outros serviços como três centros de convivência para jovens, adultos e idosos.

Apesar de ter os serviços pouco divulgados, a Acop funciona em Bauru há 35 anos. No último mês, a entidade ganhou nova presidência. Nelson Augusto Neto, que era vice-presidente, passou a presidir a Acop. “A visibilidade é importante para a extensão dos serviços, que é a nossa meta para os próximos anos”, pontua. A entidade atende hoje uma média de 500 pessoas, entre crianças, adolescentes, adultos e idosos.

A 1.ª Cozinha Comunitária, que será inaugurada no Bauru 22 na próxima terça, e que oferecerá 200 pratos por dia a R$ 1,00, inclusive, também é da Acop, em parceria com o governo Federal e o município.

Importância
A preferência pelo acolhimento inicial familiar, em detrimento ao institucional oferecido por abrigos, ganhou ainda mais importância após reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 2009.

A Acop possui hoje apenas 11 cadastros de famílias acolhedoras, mas o mínimo necessário seria 15. “É preciso ter o espírito do voluntariado para participar porque é uma guarda provisória e a família pode ficar de seis meses a um ano com a criança somente. Não é adoção”, explica a assistente social da Acop Lívia Martinão.

“A família precisa ser habilitada. Para isso, existem critérios técnicos e que consideram como fator principal a vontade em ajudar o próximo”, completa Lícia Gelsi, superintendente da Acop.

Em janeiro do ano passado, o JC já alertava para o número reduzido de famílias acolhedoras no município. Após a reforma no ECA, o promotor da Infância e Juventude de Bauru, Lucas Pimentel, passou a cobrar do poder público a inclusão de crianças ou adolescentes em programas de acolhimento familiar, até que a transição para a família original ou adotiva fosse efetivada.

Fato este que tem despendido grande esforço da Secretaria do Bem Estar Social (Sebes) e entidades conveniadas. “O número de atendimentos vem aumentando gradativamente, mas precisamos expandir mais e isso depende de um esforço em conjunto”, avalia Darlene Tendolo, titular da pasta.


Quer ajudar?

Interessados em se tornar família acolhedora podem efetuar cadastro na Acop, que fica na rua Martin Afonso 11-85, Vila Souto, e funciona de segunda à sexta, das 8h às 17h. Mais informações: (14) 3243-2640, (14) 97400-5012 e (14) 97400-1245.