09 de julho de 2026
Nacional

Defesa de jovem atacada no Rio quer afastar delegado

Por Idiana Tomazelli, Luciana Nunes Leal e Vinicius Nede | AE
| Tempo de leitura: 4 min

A defesa da jovem de 16 anos vítima de um estupro coletivo na zona oeste do Rio vai pedir que o delegado Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), seja afastado do caso. Segundo a advogada Eloísa Samy Santiago, Thiers está criminalizando a adolescente. "Ele perguntou à vítima se ela tinha por hábito participar de sexo em grupo", disse a advogada.

Na madrugada de sexta, após prestar o segundo depoimento à polícia, a adolescente voltou a usar as redes sociais para pedir que parem de culpá-la. "Não, eu não quero mídia, não, não fui eu que postei fotinha (sic), muito menos vídeo! Então, parem de me culpar, quem errou e procurou não fui eu! A culpa nunca é da vítima", escreveu a jovem, que disse ter sido atacada por 33 homens no dia 21.

Para Eloísa, o depoimento "teria sido muito mais produtivo" se não tivesse sido conduzido por Thiers. A delegada Cristiana Bento, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima (DCAV), que passou a acompanhar o caso, também estava presente e teve "comportamento exemplar", disse a advogada. A defesa vai procurar a Promotoria da Infância e da Juventude e não descarta outros meios de representar contra o delegado.

A Polícia Civil disse que a vítima foi perguntada se conhecia outro vídeo em que ela apareceria tendo relações sexuais com homens, conforme contou uma testemunha. "A investigação é conduzida de forma técnica e imparcial, na busca da verdade dos fatos", afirmou o órgão.

Nesta sexta-feira (27), em entrevista coletiva concedida à imprensa com o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, os delegados do caso chegaram a tratar a situação como "suposto estupro", e Thiers declarou que a polícia tinha diversas linhas de investigação, até mesmo para verificar "se houve ou não estupro". Veloso esclareceu depois que a polícia trabalha com indícios e que espera os laudos.

Operação

A Polícia Militar realizou uma operação no Morro da Barão, onde aconteceu o crime, na manhã deste sábado (28). Houve tiroteio, sem feridos, e um suspeito foi detido. Sua identidade não foi revelada.

Um homem identificado como Ray de Souza confessou, em depoimento, ter gravado um vídeo da adolescente após ter tido relações sexuais com ela. Ele negou, porém, ter conhecimento do estupro. Até agora ninguém foi preso. Assustada com o assédio, a jovem deixou sua casa ontem.

Jovem vítima de estupro coletivo no Rio deixa apartamento com a família

Luciana Nunes Leal

A jovem de 16 anos vítima de estupro coletivo que teve imagens divulgadas nas redes sociais deixou na manhã deste sábado o apartamento onde mora com a família, informaram dois porteiros do condomínio de classe média no bairro da Taquara, na zona oeste. Segundo funcionários, ela saiu com toda a família, sem dizer quando voltaria. A moça mora com a mãe, o pai, um irmão mais novo e o filho de três anos, segundo vizinhos.

O crime assustou os moradores do condomínio, formado por três edifícios, cada um com cinco andares, e uma área de lazer comum, com piscina. "Foi uma das coisas mais terríveis que já vi na minha vida, muito chocante. Eu vejo sempre a família na piscina, converso com o pai e a mãe dela. Com ela não conversei, mas a via sempre. É uma moça muito bonita. Esse lugar onde ela foi, aquela comunidade é muito perigosa", disse Rogério Abdala, morador do condomínio, referindo-se à favela São José Operário, onde fica a casa em que a jovem foi atacada, segundo ela por 33 homens.

Os agressores, segundo a vítima, estavam armados e a insultaram da várias formas. Imagens da moça depois do estupro foram divulgadas em redes sociais e chocaram internautas, que denunciaram o fato ao Ministério Público. O policiamento está reforçado neste sábado na região próxima à Praça Seca, também na zona oeste, onde fica a favela.

PM realiza operação para prender suspeitos de estupro coletivo no Rio

Idiana Tomazelli

Policiais militares do Grupo de Ações Táticas realizam na manhã deste sábado (28) uma grande operação na comunidade São José Operário, conhecido como morro da Barão, na Praça Seca, zona oeste do Rio. O objetivo é identificar e capturar criminosos que participaram do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no fim de semana passado. Houve tiroteio e, até agora, um suspeito foi detido. A ação prossegue neste momento.

De acordo com a PM, 70 agentes de sete batalhões participam da operação, com apoio de helicóptero, veículos blindados e do Batalhão de Ação com Cães (BAC). Além de capturar os agressores, a ação visa a "dar maior sensação de segurança à população", diz a corporação em nota.

O morro da Barão é o local onde a adolescente foi estuprada por 33 homens, segundo o depoimento da própria jovem à polícia. Ontem, a Polícia Civil já havia realizado uma operação para cercar a casa onde teria ocorrido o crime e realizar a perícia do local.

Na entrada dos policiais na comunidade durante a operação desta manhã, não houve resistência, de acordo com a PM. Porém, no ponto alto do morro, próximo à mata, alguns criminosos dispararam contra os agentes, e houve "breve confronto", sem feridos.

Além do suspeito detido, ainda não identificado, a polícia apreendeu drogas e recuperou dois veículos roubados, um Corolla e um Gol. O caso será registrado na Cidade da Polícia, sede das delegacias especializadas na zona norte do Rio e onde o caso do estupro está sendo investigado.