| Mariana Bertacini - ACI/Faac |
| Categoria votou pela greve em assembleia, que ocorreu no câmpus de Bauru, na tarde dessa quarta-feira (1) |
Assembleia realizada na tarde dessa terça-feira (31) determinou o início imediato de greve, por tempo indeterminado, de professores e demais funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os profissionais reivindicam reajuste salarial de 12,38%, enquanto a reitoria da instituição não confirma prazo para repor sequer os 3% aprovados pelo conselho que reúne também as direções da USP e da Unicamp.
O índice pleiteado pelos servidores é resultado da soma da inflação de maio de 2015 a maio de 2016, apurada em 9,38%, acrescidos de 3%, que garantiriam aumento real às remunerações.
“A proposta de apenas 3% oferecida pelas universidades impõe, na prática, perdas de mais de 6% aos funcionários da USP e da Unicamp. Como a Unesp nem isso está garantido, nossa perda será de mais de 9%. O mínimo que deveriam oferecer era o tratamento isonômico”, reclama o professor da Faculdade de Ciências, Milton Vieira do Prado Junior.
Segundo ele, os campi de Araraquara e Marília também já aderiram ao movimento grevista e assembleias em outras unidades devem acontecer. Nesta quinta-feira (2), os estudantes da Unesp em Bauru discutirão o apoio à paralisação dos docentes e demais funcionários.
ESTRUTURAL
O professor Milton Prado Junior acrescenta que, na pauta do movimento grevista, conta ainda a ampliação de aportes às universidades estaduais, já que o financiamento das três instituições não acompanhou as expansões de suas atividades.
“Somente na Unesp, existe, hoje, uma defasagem de 500 docentes. É fundamental a contratação de mais professores efetivos. Não está havendo também a reposição de funcionários. Muitos postos estão sendo terceirizados, o que aumenta os gastos”, afirma o professor.
A pauta pede ainda a ampliação dos programas de permanência estudantil, que apoia universitários em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
“A universidade pública está sendo alvo de ataques e precisamos defendê-la. Já estão discutindo a cobrança de mensalidades para cursos de pós-graduação”, exemplifica Milton.
Quando for possível...
Em nota, a Unesp informa que o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) manteve, em reunião realizada na última segunda-feira (30), a proposta de reajuste de 3% sobre o salário de maio.
A instituição, no entanto, comprometeu-se a conceder essa correção apenas quando suas condições orçamentárias e financeiras permitirem tal medida. Participaram deste encontro representantes de servidores docentes e técnicos administrativos da Unesp, da USP e da Unicamp. Na ocasião, ficou acordado ainda o futuro agendamento de novas reuniões para acompanhar a situação econômica das três instituições.
Decreto do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de janeiro, contingenciou R$ 233 milhões dos orçamentos das universidades para este ano. A Unesp foi a menos afetada, com bloqueio de R$ 32,6 milhões, o que representa redução de 1% em suas despesas para o ano, estimadas, agora, em R$ 2,5 bilhões. Deste montante, 99% estão comprometidos com salários.
USP
Conforme o JC noticiou, no dia 23 de maio, funcionários da USP também deliberaram pelo início de greve por tempo indeterminado. Os servidores reivindicam aumento de 12,38% em seus salários e protestaram contra o que chamam de “desmonte” da instituição.