| Douglas Reis |
| Barra de ferro se desprendeu de uma construção e atingiu dois carros, na região do Camélias |
Na noite dessa quinta-feira (2), 1,7 mil imóveis seguiam “no escuro” em Bauru, segundo a CPFL Paulista. Além da chuva que voltou a cair no mesmo dia, trata-se do reflexo da precipitação e dos ventos de mais de 55 quilômetros por hora que provocaram quedas de árvores e de fios energizados, na última quarta-feira (1). Na ocasião, a ventania também “jogou” uma barra de ferro, com aproximadamente 30 quilos, sobre dois carros.
O JC noticiou, na edição dessa quinta (2), os estragos provocados pelos fortes ventos. As rajadas fizeram com que a barra de ferro se desprendesse de um prédio em construção e atingisse os veículos, que estavam estacionados na garagem de um residencial vizinho, localizado na quadra 10 da rua Christiano Pagani, na região do Camélias. Segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, a força do equipamento poderia ter até matado uma pessoa, se ela estivesse dentro ou saindo de um dos carros.
No VW/Gol, com placas de Bauru, o suporte de ferro transfixou a porta do passageiro. O veículo pertence à assistente social Silmaire Cruz Tarantella, de 43 anos, que estava em casa no momento do incidente. “Ouvi um barulho muito alto”, narra. O equipamento também atingiu um Citroën/C3, com placas de Bauru, que estava ao lado do Gol. A RRV Engenharia, empresa responsável pela construção, garantiu que iria ressarcir as pessoas afetadas.
Inclusive, durante o conserto dos veículos, a construtora se incumbiu de fornecer carros alugados, para que as vítimas não fiquem desamparadas. Engenheiro da empresa, João Carlos Sakai argumenta que não houve falha de segurança, já que “a RRV possui todos os certificados de qualidade”. “Não houve descuido, apenas um incidente provocado pela forte chuva”, pontua.
Dia de folga
| Douglas Reis |
| Falta de energia fez Ana Carolina ser dispensada do trabalho |
Nessa quinta-feira (2), teve gente que não conseguiu nem trabalhar. Ana Carolina Sena Silva Fernandes, de 25 anos, é secretária de uma nutricionista, cujo consultório está em um prédio comercial da quadra 18 da avenida Getúlio Vargas, perto da árvore Copaíba. Desde as 19h de quarta-feira (1), o edifício estava sem energia elétrica. E, para ajudar, o local onde Ana trabalha fica no 14.º andar, o último do prédio. “O elevador não funciona e é difícil subir de escada”.
Sua chefe a dispensou até a hora do almoço, na esperança de que o problema se resolvesse na parte da tarde. “Vou ficar esperando em frente ao prédio, porque não compensa voltar para casa”, acrescenta. A sete andares abaixo do consultório onde Ana trabalha, há um escritório de investimentos. Dos sete funcionários, só restaram dois, que passaram a fazer atividades que não exigissem o uso de equipamentos de informática.
O administrador Fabio Freire Lara, de 55 anos, também trabalha no escritório, mas resolveu apelar para o home office, ou melhor, realizar as tarefas pendentes em casa. “O no-break do escritório impediu que os computadores desligassem, porém, ficamos sem acesso à Internet. Diante disso, peguei os dados que precisava e estou a caminho de casa, onde há energia”, descreve.
Bem perto do prédio comercial, mais especificamente na quadra 13 da rua Doutor Fuas de Mattos Sabino, Jardim Europa, as árvores que haviam caído já foram cortadas na manhã dessa quinta (2). Só restava retirá-las do local. No quarteirão seguinte, havia um poste ameaçando cair, fato que provocou a queda de energia nas proximidades. Até a Polícia Federal (PF), cujo prédio fica próximo, ficou “no escuro”. Os funcionários orientaram o público a reagendar o atendimento.
E agora?
| Douglas Reis |
| Queda de árvore na quadra 13 da rua Doutor Fuas de Mattos Sabino, Jd. Europa, mobilizou a CPFL |
Em nota emitida pela assessoria de comunicação, a CPFL Paulista afirma que a chuva chegou a afetar 154 mil clientes em todo o Estado, por volta das 21h de quarta-feira (1), no pico do temporal. “Desde o registro do primeiro caso de falta de energia, as equipes do órgão deram início aos reparos”.
Entre as regiões mais afetadas, estão: São José do Rio Preto, Bauru, Araraquara, Ribeirão Preto e Piracicaba. Nessa quinta (2), por volta das 19h, ainda havia 1,7 mil pessoas “no escuro”. Segundo a CPFL, as novas chuvas que caíram neste mesmo dia citado pioraram o problema.
Sem água
Em nota, a assessoria de imprensa do DAE comunicou que o poço Marabá, localizado na Vila Aviação, ficou desligado temporariamente, devido à falta de energia. Nessa quinta (2), o fornecimento de água do Núcleo Habitacional Presidente Geisel esteve comprometido. A produção da unidade já foi retomada, mas o nível do reservatório estava sendo recuperado gradativamente.
IPMet prevê fim de semana chuvoso
Segundo a meteorologista Zildene Pedrosa de Oliveira Emídio, do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), choverá até, ao menos, domingo, porque áreas de instabilidade tomam conta de todo o Estado de São Paulo. Até o final dessa quinta, a cidade registrou 34,5 milímetros de precipitação acumulada. Chegou a chover granizo em alguns pontos do município.
Para esta sexta-feira (3), a previsão é de que haja chuva, principalmente, nos períodos da tarde e da noite. Em relação às temperaturas, a expectativa é de que elas fiquem mais amenas em Bauru, ou melhor, entre 16 e 23 graus. Já a mínima da umidade relativa do ar deverá ser alta, em torno de 70%.