11 de julho de 2026
Nacional

Crise econômica leva a estupro, afirma secretário da Segurança de São Paulo


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Recém-empossado na Secretaria da Segurança de SP e responsável por definir a estratégia para reduzir o número dos casos de estupro no Estado, Mágino Alves Barbosa Filho afirmou ver relação desses crimes com a situação econômica do Brasil. Na quarta-feira, no momento em que o chefe das polícias de SP concedia entrevista para a coluna Direto da Fonte da jornalista Sonia Racy sobre esse desafio, milhares de mulheres protestavam contra o machismo e o estupro na avenida Paulista.

Questionado sobre os 3 mil casos de estupro registrados em São Paulo afirma que, “é um número que não se justifica, e é um tipo de crime muito difícil de combater”.  

E explica: “Ontem (quarta-feira) levei uma estatística à reunião do Ministério da Justiça que impressiona. Somente 30% dos crimes de estupro são cometidos por pessoas desconhecidas da vítima. 70% dos casos são cometidos por alguém que a vítima conhece - seja por uma relação de parentesco, seja por relação de amizade ou afetiva. É um crime muito difícil de mapear. Diferente do crime de roubo, que se identifica os locais de incidência e age pontualmente. Nesses 30% que são cometidos por desconhecidos da vítima, a gente precisa incentivar essas mulheres a notificarem as ocorrências para poder haver uma ação mais eficiente. Mas infelizmente esse crime, como outros, é um pouco da consequência dessa crise que estamos vivendo”.

Mágino relaciona o desemprego como gatilho para a violência sexual. “O camarada perdeu o emprego. Ele começa a se desesperar, começa a beber. Um monte de gente, que nunca cometeria qualquer tipo de crime, hoje está praticando o pequeno ilícito e, às vezes, até esses crimes mais graves. O crime de estupro atualmente é um tipo mais aberto - aquele beijo forçado, uma situação de uma carícia imprópria configura o crime de estupro.”

Perguntado sobre a conexão entre a crise econômica e o estupro, o secretário da Segurança afirma que, “muita gente cai em depressão porque perdeu emprego e começa a beber. E aí termina perdendo a cabeça e praticando esse tipo de delito. Não estou falando que é a principal causa, mas uma das causas com certeza é essa aí”.

A declaração do secretário foi criticada por defensoras dos direitos da mulher. 
Para Heloísa Buarque de Almeida, professora de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP) e estudiosa de gênero, o secretário revelou “desinformação” e “despreparo” para assuntos como violência contra a mulher. Segundo ela, vários estudos comprovam que esse tipo de violência “sempre aconteceu, independentemente de crise”. 

Luíse Bello, publicitária e gerente de conteúdo e comunidade do Think Olga, grupo feminista, reforçou que a declaração foi “absolutamente irresponsável”. “É muito preocupante que uma pessoa que tenha capacidade de falar isso esteja no comando das polícias de São Paulo.”