O trem de passageiros, ao avançar a escuridão, deixava um vago resplendor nas trevas da noite. Sua desativação no interior do Estado “mais populoso” do País se fez sentir, sobremaneira.
Chegam festas juninas em Agudos: primeira quermesse sem volta do noturno. Havia no ar densa nostalgia.
Balões multicores, desprovidos de tochas, subiam ao céu, indecisos e afogavam-se nas brumas. Foguetes riscavam o ar procurando... ninguém sabia o que; desenhando caminhos... ninguém sabia para quem; busca-pés corriam pelo chão atrás, talvez, de perdidos sonhos; lábios escarlates desfolhavam sorrisos; olhares tinham brilho de astros e umidade de prantos.
Evoluíam afetuosas lembranças. Dos arcanos da mente os pensares cativos se escapavam; dos corações: incautas as paixões fugiam e andavam às soltas pela noite silente: subvertendo as sombras.
Fazia frio quando a festa chegava ao seu final. E como eu estava triste, o frio parecia mais frio.
E ao apagar-se a fogueira, ressurgiu das cinzas, do passado, a nostálgica locomotiva de tração “a vapor”: com aquela fumacinha branca a envolver a noite num requintado aroma de saudade...