Para muitos, as estações mais frias do ano são esperadas e comemoradas porque também são épocas de festas juninas e quermesses. Afinal, quem resiste às delícias típicas do arraial? (Confira as datas de algumas das principais festas programadas para os próximos dias no infográfico).
Entre a tradição, novidades também são bem-vindas e preparadas. Exemplo é a programação da festa junina da Paróquia Sagrada Família, no Jardim Marambá. Este ano, a festa contará com o primeiro concurso “História de Pescador”, ideia que objetiva resgatar as tradições do Interior paulista.
Segundo o padre Gustavo Rubin da Mota, será destacado o ato de contar histórias. “E, claro, os pescadores têm a tradição das grandes narrativas de suas histórias fantásticas que, mesmo sendo um absurdo, a arte de contá-las valoriza nossas raízes de acolhimento e de inventividade”, comenta.
A escolha da melhor história ocorrerá por votação popular, com cédulas e urna, no dia 11 de junho. No dia 18, haverá a premiação do vencedor, que receberá um kit de pesca doado pela loja Campesca.
A festa junina da Sagrada Família acontecerá nos dias 11 e 18 de junho. A programação religiosa contará com uma missa sertaneja, às 18h30 (Leia mais abaixo).
São três os santos dessa festança
Santo Antônio, São João e São Pedro são os santos festeiros de junho. Tradicionalmente, a programação religiosa e as quermesses são realizadas nas paróquias para homenagear os padroeiros e lembrar o que eles representam para a fé católica (Leia mais, abaixo).
Em Bauru, muito conhecida é a quermesse de Santo Antônio, no Bela Vista. Este ano, a festa chega em sua 76ª edição e será realizada nos dias 5, 10, 11, 12,13,17,18 e 19 de junho, a partir das 19h.
Uma das características da festa de Santo Antônio é o gesto concreto materializado pela arrecadação de alimentos que são revertidos às famílias carentes, segundo comenta o pároco frei Ademir Sanquetti.
Além do tradicional e desejado bolo de Santo Antônio, comidas das mais diversas entre salgados e doces, e brincadeiras como a pescaria, compõem a festa do santo casamenteiro.
“A gente também procura trabalhar a parte espiritual das pessoas. Faremos benção, por exemplo, na abertura da festa para abençoar os voluntários e todos os que colaboram, de uma forma ou de outra”, grifa o frei.
São João
Na Paróquia São João Batista e Nossa Senhora de Lourdes, na Vila Ipiranga, são costumeiras as apresentações de danças ou quadrilhas, com a encenação do casamento caipira. A benção da fogueira é outra tradição que não pode faltar. A quermesse será realizada nos dias 11,12, 18, 19, 25 e 26 de junho e 2 e 3 de julho, a partir das 19h.
De acordo com o padre Paulo Tavares de Brito, é realizada a benção do fogo no dia do padroeiro. “No passado, a noite do dia 24 de junho era uma das mais frias do ano. E como a festa junina era bastante forte no meio rural, os fazendeiros e colonos acendiam a fogueira, dançavam em torno dela e colocavam alimentos para serem assados, como a batata-doce. Com a benção do fogo, aqueles alimentos também recebiam as orações e eram partilhados entre todos os presentes”.
Sendo assim, a benção do fogo remente à essa tradição, até os dias de hoje, lembra o padre. Lembra-se o fogo que aquece e que alimenta. A fogueira também significa a queima de tudo o que é impuro e deixa surgir algo novo.
Príncipe e princesa
É feito um trabalho com as crianças da catequese na paróquia. Elas ensaiam quadrilhas e arrecadam alimentos. As crianças que mais arrecadarem serão eleitas como o príncipe e a princesa da festa. O concurso dos pequenos será realizado no dia 18 de junho. Na mesma paróquia, é erguido um mastro de três vertentes, três lados, no dia 13 de junho (Dia de Santo Antônio) em homenagem aos santos do mês de junho: completam as imagens São Pedro e São João.
São Pedro
A Paróquia de São Pedro Apóstolo, na Vida Dutra, também já prepara a programação da festa do seu padroeiro. As celebrações acontecerão com missas e a participação de diversos padres convidados, além da quermesse tradicional realizada nos sábados 11, 18 e 25 de junho.
Católicos: celebração junina reafirma a fé cristã
As festas que celebram os chamados santos juninos fazem parte da busca dos primórdios da fé católica, segundo comenta o padre Paulo Tavares de Brito. “Nossa fé cristã nos ensina a colocarmos Deus acima de tudo e a celebrarmos a mesma fé que os três santos tiveram”.
A Igreja celebra o dia do santo no dia da sua morte, normalmente. Santo Antônio morreu em 13 de junho, dia de sua festa. Desde cedo, ele teve vontade de se dedicar às missões, mas ficou em um convento por sua saúde fragilizada. “Ele tinha uma palavra que encantava, era um homem de muita fé e oração e, por isso, muito procurado. Muitos milagres ocorriam por causa de sua fé e orações”, narra padre Paulo.
Já São João Batista é um dos poucos que têm duas datas celebradas, devido a sua importância. O dia 24 de junho, seu nascimento, e dia 28 de agosto, quando morreu. Ele anunciou a vinda de Jesus e, segundo comenta padre Paulo, o próprio Cristo disse que São João foi o maior dos nascidos entre os homens. “Ele é considerado o último dos profetas, o que anunciou e batizou Jesus. Sua humildade é a humildade que devemos seguir, segundo o próprio Papa Francisco nos ensina”, pontua.
Segundo uma antiga tradição, São Pedro teria morrido em 20 de junho, em Roma. Para o padre, ele (São Pedro) é aquilo que todos os cristãos são na realidade. Ele é aquele que enfrentou os soldados que foram buscar Jesus para a sua crucificação, mas também é aquele que, em alguns momentos da sua vida, teve dúvidas e negou Cristo. “Mas é aquele que também se arrependeu diante das negações e suas fraquezas. Por isso ele tem uma importância vital para os cristãos, porque nos apresenta nossa própria realidade de fragilidade e de fé”, finaliza.
Clubes também terão arraial
Os clubes também têm suas festas com barracas de salgados, bebidas, quentão, vinho quente, algodão-doce, maçã do amor, batata, crepes, pastel, cachorro-quente, espaços de recreação infantil, quadrilha, fogueira e música ao vivo com muito forró e sanfona.
Este ano, o Bauru Tênis Clube (BTC) prepara um evento caipira especial e comemorativo dentro da campanha BTC 90, que acontecerá nos dias 17 e 18 de junho, a partir das 18h. O arraiá betecista tem entrada livre para associados, e convidados de sócios pagam portaria de R$10.
Já a Associação Luso Brasileira de Bauru prepara o Arraiá da Suavidade para o dia 25 de junho, a partir das 21h. Entre as atrações, a festa terá quadrilha e um jantar típico.
Amigos tomam as ruas para ‘festar’
Nessa época do ano, também é bastante comum que a vizinhança, amigos e familiares se reúnam para as tradicionais festas juninas de rua. Elas costumam fechar quarteirões, ter música, quadrilha, fogueira, decoração e todo tipo de bebida e comidas típicas. Não seu bairro tem uma festa assim?
Segundo a comunicação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), diversos pedidos para interdição de quadras para a realização de festas juninas chegam até a autarquia todos os anos. Junho mal começou e três pedidos de interdição de ruas já foram feitos. O arraial está garantido em bairros como Vila Santa Terezinha, Centro e Parque Santa Edwiges.
Sandra Macedo Pereira é professora, pesquisadora e diretora do Instituto Cultural Yauaretê. Há mais de dez anos ela “convoca” os vizinhos da rua onde mora, a Manoel Bento Cruz, no Centro, e realiza uma das mais tradicionais e conhecidas festas comunitárias de Bauru (até o fechamento desta reportagem, a data da edição 2016 da festa de Sandra e Tito Pereira ainda não tinha data definida).
“Sou uma defensora da cultura tradicional regional, que atualmente não estão recebendo o devido valor. Acredito que as festas juninas são fortes raízes culturais do povo brasileiro e busco fortalecer tais raízes com as pessoas ao meu redor. E não é preciso muito para fazer uma bela confraternização”, aponta.
Família Fumaça
Outra festa junina popular e bastante conhecida em Bauru é a da Família Fumaça, realizada há muitos anos na rua Bauru, na Vila Santa Luzia. O endereço em questão vira festa para celebrar a amizade entre os vizinhos e a família, tradição passada das gerações mais velhas para as mais novas por lá.
Conhecido na cidade como o massagista João Fumaça, João Batista é o patriarca da família festeira. “Minha família tem três casas na mesma quadra. Há uns dez anos, nessa mesma época, um sobrinho meu, o Fumacinha, comprou uns doces típicos de festa junina, parou o carro na rua e colocou um som. Pronto, a família se reuniu e a vizinhança foi chegando. Estava formada nossa primeira festa julina, que só cresceu”, recorda.
Quer organizar um arraiá de rua no seu bairro?
Os interessados em interditar vias públicas para a realização de festa junina devem, antes de tudo, dirigirem-se ao stand da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) no Poupatempo, munidos de um documento de “Anuência dos Moradores”, onde os vizinhos, na sua totalidade, devem estar de acordo com a interdição da via.
Após análise da Seplan, o pedido segue para a Emdurb para analisar as questões do sistema viário e transporte coletivo e posteriormente liberar ou não a interdição. Pede-se aos interessados que encaminhem seus pedidos com, no mínimo, 15 dias úteis de antecedência da data da festa. Assim que é autorizada a interdição, o solicitante é avisado para que retire a autorização junto a Emdurb.