10 de julho de 2026
Polícia

Triplicam casos de falsificação de notas em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

O crime é o de moeda falsa e a sanção varia de 3 a 12 anos de reclusão. Mesmo sabendo disso, tem gente que insiste em transgredir a lei. Tanto que, segundo a Polícia Federal de Bauru, a quantidade de inquéritos do tipo triplicou de 2015 para cá: de 1 de janeiro a 31 de maio do ano passado, havia 19 investigações abertas e, no mesmo período de 2016, foram 59. Os dados são de toda a área de atuação da polícia, ou seja, 57 municípios, incluindo Bauru.

Como os inquéritos ainda estão na fase inicial, a polícia não arrisca conclusões, mas tudo indica que haja um grupo especializado em colocar dinheiro falso em circulação na região de Bauru, porque o número de série das notas coincide com o de diversas apreensões. Conforme informações da Polícia Federal, na maioria das vezes, a moeda não é falsificada por aqui.

A hipótese é de que as notas venham do Paraguai e os criminosos, que vivem na região, apenas as colocam em circulação. Ainda segundo a polícia, o aumento da quantidade de inquéritos de um ano para outro pode ter relação com a estagnação econômica vivenciada pelo País. Muita gente perdeu o emprego e enxergou, na criminalidade, uma alternativa menos penosa de sobrevivência.

Atuação

Os criminosos usam a tecnologia como aliada. Na maioria dos casos, divulgam o valor de venda das notas falsas via WhatsApp ou Facebook. O mais comum é a de R$ 100,00, porque se tornou popular no mercado e evita desconfianças. Em segundo lugar, vem a nota de R$ 50,00 e, em terceiro, a de R$ 20,00. Para colocar a moeda falsa em circulação, os grupos compram algum produto mais em conta e pagam com uma nota de R$ 100,00, por exemplo.
Com isso, o lucro vem do troco, devolvido com o dinheiro verdadeiro.  

Recebi uma nota falsa! O que eu faço?

Ao receber uma nota falsa de um terminal de autoatendimento ou caixa eletrônico, o cidadão deve encaminhar-se ao gerente da agência para pedir providências de pronta substituição. Se não obtiver resposta no estabelecimento, o cidadão pode procurar a Polícia Federal ou a delegacia mais próxima para registrar a ocorrência. 
Ao desconfiar da autenticidade de uma nota em uma transação do dia a dia, o cidadão deve observar os elementos de segurança na cédula ou compará-la com outra legítima (veja mais no quadro acima). Se a pessoa perceber que se trata de moeda falsa, deve recusar e chamar a polícia.

 

Em janeiro, ocorreu derrame de moeda falsificada na região

Em janeiro deste ano, uma dupla foi presa em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) após um derrame de cédulas falsificadas. Conforme o JC noticiou, o homem que foi apontado como o fabricante do dinheiro confessou que distribuiu R$ 60 mil em notas falsas para várias cidades, incluindo Bauru. Na ocasião, também foram apreendidas drogas, remédios contrabandeados, anabolizantes e munições de uso restrito.
Na casa de um dos acusados, a polícia encontrou R$ 10,7 mil, divididos em notas de R$ 50,00 e R$ 100,00. A prisão dele levou a outro homem, apontado como o fabricante do dinheiro, que também vivia em Pirajuí. 
Na casa desse segundo suspeito, foram apreendidos um computador e dispositivos utilizados para a fabricação da moeda, além de uma nota impressa pela metade.

Estelionato

Na maioria das vezes, a falsificação é bem feita e fica difícil de perceber. Contudo, existem maneiras de reconhecer quando o dinheiro é falso ou verdadeiro. Quando a falsificação é extremamente grosseira, o criminoso não responde pelo crime de moeda falsa, mas por estelionato e a competência de investigar já não é da Polícia Federal, é da Civil.

Prejuízo

A falsificação é crime previsto pelo artigo 289 do Código Penal, com pena prevista de 3 a 12 anos de prisão.  Quem tentar colocar uma cédula falsa em circulação depois de tomar conhecimento de sua falsidade, pode ser condenado a uma pena de 6 meses a 2 anos de detenção. As notas falsas não são trocadas pelo Banco Central ou pelo governo. O dinheiro suspeito pode ser apresentado a uma agência bancária, que se encarregará de encaminhá-lo para análise pelo Banco Central.