11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

PT adota política de 'oposição responsável' mantendo alianças

Roque Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

A crise política do país a cada dia tem lance diferente, e todos se dão no campo onde se operam as grandes manobras palacianas, envolvendo o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. PMDB e Temer conspiraram abertamente para emplacar o impedimento da presidente Dilma e, nestes lances, seus principais jogadores, Cunha na Câmara e Renan no Senado, foram as peças centrais que atuaram no ataque.


As ruas estão sendo ocupadas por milhares de pessoas em atos organizados por movimentos sociais, centrais sindicais, organizações estudantis e outros espontâneos, agudizando a luta de classes. Toda a movimentação não implica em apoio incondicional ao governo Dilma e ao Lulismo. É a negação da retomada da agenda conservadora, de ataques aos direitos democráticos e às conquistas da classe trabalhadora, que começa a ser imposta pelos que tomaram de assalto o governo.


Neste quadro onde é atacada de forma violenta, a direção do PT não se liberta das amarras da conciliação de classe e ainda defende alianças com o PMDB nas eleições municipais, como por exemplo no Pará, onde a direção estadual do partido aprovou, como tática eleitoral, alianças em todas as cidades com o PMDB de Jader Barbalho.


A direção do PT e Lula se submetem à lógica palaciana, ao invés de ir às ruas convocando a classe trabalhadora, a juventude para derrotar e varrer seus inimigos de classe. Negam um conjunto de medidas para combater a crise sob o ponto de vista dos interesses dos trabalhadores.


Conforme afirmamos em artigo publicado em nossa página em 11 de maio: “É uma época convulsiva a que vivemos, quando tudo pode terminar em explosão. Neste difícil e doloroso terreno é que a classe trabalhadora e a juventude aprenderão, unificarão suas lutas e as levantarão ao nível político colocando a questão do fim deste regime e de quem deve decidir o futuro”.


Esta tarefa não poderá ser cumprida pelas velhas organizações que um dia a classe reconheceu como suas, a exemplo do PT, pois sua direção, mesmo neste cenário de ataques profundos da burguesia nacional e do imperialismo, se recusa a convocar a classe trabalhadora para ganhar as ruas e nas ruas derrotar os ajustes exigidos pelos exploradores.