11 de julho de 2026
Política

Prefeitura vai contratar empresa para atestar asfalto de má qualidade

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Ricardo Ursulino/Divulgação
Pavimentação na Vila Santista resultou em discussões entre a administração municipal e a empresa responsável pelo serviço

A Prefeitura de Bauru vai pagar para confirmar a má qualidade de algumas das obras que contrata. O município abriu licitação para que, por meio de ensaios de laboratório, uma empresa ateste a utilização de materiais fora do padrão ou a execução de serviços de forma indevida. Constante alvo de reclamações por parte da população, o asfalto será um dos objetos passíveis de análise, bem como o concreto.

O foco da iniciativa está nas obras terceirizadas, tocadas por construtoras privadas. O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, alega que, hoje, quando há problemas, a administração fica refém dos laudos apresentados pelas empreiteiras. “Daí fica aquele empurra-empurra. A gente vê que a coisa não saiu como tinha que ser, mas a empresa diz que não é de responsabilidade dela”, justifica.

Sidnei admite, no entanto, que, a despeito de eventuais impasses, as contratadas costumam refazer os serviços mal feitos quando exigido pela prefeitura, até porque existem prazos contratuais de garantias para as obras. Por outro lado, o secretário argumenta que o respaldo desejado pelo município torna-se ainda mais necessário diante das seis frentes do PAC Pavimentação, que asfaltará mais de 700 quadras, espalhadas por 12 bairros da cidade. “Precisamos estar preparados”, afirma.

Seletivo

O secretário de Obras Sidnei Rodrigues afirma ainda que os estudos só serão requisitados quando houver problemas aparentes nas obras, inclusive em função do alto custo desse tipo de serviço. O edital prevê a contratação de dez diferentes tipos de análises e, como se trata de uma ata de registro de preço, a prefeitura só pagará quando solicitar cada um deles.

A Prefeitura de Bauru se recusou a informar o valor total que poderá ser gasto com o contrato. A assessoria de imprensa justifica que a divulgação do montante, estimado por meio de cotações, pode atrapalhar o processo licitatório e influenciar nos lances das empresas interessadas em prestar o serviço. Sidnei Rodrigues estima, no entanto, que cada estudo do tipo mais usual custe cerca de R$ 5 mil.

Análise

Questionado se as equipes da Prefeitura de Bauru não teriam condições de atestar se obras foram ou não mal executadas, Sidnei Rodrigues faz uma comparação, já que o serviço público tem como dever fiscalizar os serviços contratados junto à iniciativa privada. “São como médicos. Eles conseguem ver que há um problema, mas, como na saúde, apenas o exame, o estudo vai apontar o que realmente aconteceu”. Sidnei diz que, em alguns casos, a prefeitura até consegue a realização dessas análises junto à Faculdade de Engenharia da Unesp.

“Mas eles não fazem todos os tipos de ensaio e existe todo um trâmite burocrático, até porque isso custa para a universidade. E demora para ficar pronto. Com a contratação, teremos isso rapidamente”.

Recorrente

Alex Mita
Pista de skate foi interditada para reparos apenas cinco meses após inauguração; obras continuam

Não são isolados os casos em que obras contratadas pela prefeitura apresentam problemas e precisam ser parcialmente refeitas pelas empresas. Sidnei Rodrigues lembra do episódio da pista de skate, interditada desde o início de maio, apenas cinco meses após ter sido inaugurada, por conta de uma série de problemas estruturais, como buracos, rachaduras e remendos, esses últimos providenciados pelos próprios skatistas.

Outro caso apontado pelo secretário de Obras é o de duas quadras de pavimentação na Vila Santista. “A empresa refez o serviço, mas foi aquela discussão. Diziam que os problemas tinham sido causados por chuva”, alega. Ele deixa claro, no entanto, que a contratação não tem como foco combater o famoso “asfalto casquinha” de Bauru, apelido para as camadas supostamente finas da pavimentação aplicada na cidade.

“Isso a gente não fiscaliza com ensaios de laboratório, a gente mede com a régua. O pessoal fala que antigamente o asfalto durava mais. É claro que durava. É só comparar o número de veículos que transitava antes e transita hoje”, argumenta Sidnei.