Quadrilhas, quermesses, casamento caipira, fogueiras, assados, quitutes, comilanças e muita brincadeira são algumas marcas registradas das festas juninas. Mais do que isso: esta época do ano é sinônimo de união em família, é uma festa agregadora, traz todo mundo mais para perto, é símbolo de união.
O que faz o sucesso delas? A tradição passada de pais para filhos. Não há quem não se emocione em lembrar como foram suas festas na infância e agora, já adultos, querem passar para os filhos a mesma emoção. E com certeza conseguem.
| Renan Casal |
| Marcia Valério mantém a tradição festiva |
É o caso da designer Márcia Valério que, ao lado do marido, o engenheiro José Valério Neto, usa a área de lazer que a família mantém em um terreno, sugestivamente chamada de “casinha”, e a transforma em um verdadeiro “arraiá”. A história começou tímida há dez anos. Reunindo familiares, os amigos do casal, os amigos dos dois filhos, as pessoas mais próximas. Com o tempo, cresceu. A edição deste ano foi realizada semana passada e reuniu mais de 200 participantes, onde não faltaram os quitutes, quadrilha e, claro, muita diversão.
Tudo sob a bênção de Santo Antônio - a data dele é hoje. “A confeiteira que fez o bolo caprichou ainda mais este ano. A decoração foi especial, representando a nossa casinha, o mastro dos três santos juninos e até a fogueira de São João”, conta ela.
“Mas o melhor mesmo é a união da gente. Realmente, é uma festa muito agregadora. Uma tradição que quis passar aos meus filhos. É tão bom ter juntos os familiares, o Gustavo e o Guilherme com seus amigos”, explica. E olha que os dois já são bem adultos. Gustavo é periodontista e Guilherme, médico dermatologista. “Este ano foi especial porque vieram os amigos de escola deles, muitos que não se reuniam há tempos. Eu gosto muito disso. Acho que a família, quem a gente gosta tem que estar em primeiro lugar”, sentencia.
Momento é positivo para a festança
| Douglas Reis |
| Casal Ana e Luiz mata saudade da infância no condomínio |
Mesmo com a crise, a APAS prevê melhora nas vendas durante as tradicionais festas de junho e julho Mesmo diante de um cenário econômico prejudicado pela queda do emprego e da renda, o setor supermercadista brasileiro, tradicionalmente, é impactado positivamente pelas festas típicas dessa época do ano. A projeção da APAS – Associação Paulista de Supermercados - é de aumento nas vendas nos meses de junho e julho.
O percentual varia de item para item, mas, de modo geral, os alimentos e bebidas que compõem diretamente o cardápio das festas juninas, como amendoim, milho para pipoca, canjica, milho, quentão, vinho quente e pinhão, terão um aumento nas vendas na faixa de 10% a 15%. Tudo isto estimulado por um frio mais intenso para esta época, o que estimula as vendas não só dos produtos do cardápio, mas também das roupas típicas e artigos de decoração.
O casal Ana Maria e Luiz Cury falava dos quitutes que não podem faltar nas festas do condomínio onde moram. “É uma tradição e gostamos de manter, as noites ficam muito gostosas quando todos se reúnem”, disse ela. Eles engrossam a fila dos que vão gastar um pouco mais nesta época, comprando os produtos diferenciados da estação, como milho de canjica.
| Douglas Reis |
| Ronaldo: foi bom ser “noivo” depois de mais velho |
Aumento de preços não tira o ânimo
Mesmo sabendo que em relação aos preços há também uma projeção de aumento de um ano para outro, o corretor de imóveis Ronaldo de Souza Mendonça pesquisava os preços. Só para comparar, ao longo dos últimos 12 meses os preços de alguns itens relacionados às festas juninas ficaram mais caros: vinho, 16,46% (para o famoso vinho quente); refrigerante, 14,16% (para quem não vai de quentão); milho, 5,55%. Mas isso não espanta o desejo do corretor participar. Ainda mais este ano.
Depois que, no ano passado, ele foi o “noivo” do casamento caipira em uma das festas mais tradicionais em um clube da cidade, ele quer repetir a dose e participar da quadrilha novamente. “Mesmo não sendo o noivo agora, a confraternização entre amigos, a alegria, é tudo muito bom, é bom repetir a dose. Adoro desde criança”.
Sabor da infância
| Arquivo pessoal |
| Mariana: “caipirinha” aos 5 anos... |
Quem também não se esquece das festas de juninas, especialmente as da infância, é a universitária Mariana Levorato Lima. “Eu gosto das festas juninas por serem divertidas, alegres, alto-astral, as comidas são maravilhosas, as brincadeiras, músicas, tudo me encanta. Além de ser também uma festa gostosa para curtir com a família inteira, desde os mais velhos até as crianças, todos aproveitam. Eu não poderia ter nascido num mês melhor”, conta acrescentando que nasceu no dia 3 de junho de 1991. “Nessa foto, eu tinha apenas 5 anos, frequentava as festas juninas da escola, do clube que éramos sócios, das empresas onde meu pai e minha mãe trabalhavam”.
Hoje, a opção mudou um pouco e ela lembra que recentemente esteve em uma quermesse de cidade pequena, Quatá. “É tudo de bom, cidade da família do meu namorado, o Luiz Paulo, e nós vamos muito a quermesses aqui também”, conta, apreciando uma mesa de bolos caseiros, assunto do qual ela entende já que é formada em gastronomia (agora está se formando também em engenharia química). “Os bolos das festas são tudo de bom”.
Conta a história
| Douglas Reis |
| ...e hoje: bolos de época são uma tentação |
Não fossem os nossos ancestrais e colonizadores, os portugueses, não teríamos herdado essa tradição. Com a vinda da família real portuguesa, institui-se aqui uma réplica da famosa “quadrilha”, dança de origem inglesa, incorporada aos costumes franceses e com características aristocráticas, entre os casais que faziam evoluções em grandes salões de palácios, ao som de orquestras.
Ocorre que o povo observava os costumes da corte e, claro, fazia a sua quadrilha, adaptando os costumes ao ar livre. Como aconteciam no cair da noite era preciso ter iluminação, daí a fogueira, que, além de aquecer, ainda servia para assar os alimentos, principalmente o milho e a batata doce. Criativo, o povo brasileiro, transformou a quadrilha dos nobres e para a música, usava-se a sanfona, o triângulo e a zabumba além de uma boa cantoria.
Com o passar dos anos, uma encenação chamada de “casamento do matuto”, ou “caipira”, foi se incorporando como encenação. É a história da noiva que fica grávida antes do casamento e seu pai obriga o noivo a se casar com ela. O rapaz tenta fugir, mas o pai da moça pede ajuda ao delegado. Quando o noivo é capturado, o casamento se realiza, e só aí a dança comemorativa acontece.
| Renan Casal |
| Comemoração caipira com a bênção de Santo Antônio |