10 de julho de 2026
Nacional

Temor de 'brexit' derruba mercados; dólar sobe a R$ 3,50 e Bolsa cai 1,5%


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Novas pesquisas de opinião mostrando que a maioria dos britânicos tende a votar favoravelmente à saída do Reino Unido da União Europeia, no referendo do próximo dia 23, derrubam os mercados globais e os preços das commodities nesta terça-feira (14). O dólar sobe frente à maioria das principais moedas com o temor de que o "brexit" (saída do Reino Unido do bloco europeu) se concretize. 

O mercado doméstico segue o mau humor externo. O Ibovespa recua 1,5% e o dólar sobe para o patamar dos R$ 3,50. Os juros futuros e o CDS (credit default swap) do país, indicador de percepção de risco, avançam. 

A aversão global ao risco aumentou de tal forma que os yields (rentabilidade) dos títulos alemães de 10 anos chegaram a ficar abaixo de zero pela primeira vez. "Enquanto essa questão do referendo não se definir, ficará uma espada sobre a cabeça do mercado", comenta o economista Alfredo Barbutti, da corretora BGC Liquidez. "Há muita incerteza no cenário internacional, e os investidores ficam na defensiva." 

A cautela aumenta com as expectativas em relação ao resultado das reuniões de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), nesta quarta-feira (15) e do BoJ (banco central japonês), na quinta-feira (16). 

A moeda americana à vista subia há pouco 1,16%, a R$ 3,501, enquanto o dólar comercial ganhava 0,45%, a R$ 3,503. Segundo operadores, o movimento da moeda segue o cenário internacional. Além disso, persistem dúvidas quanto aos próximos passos do Banco Central para reduzir sua exposição cambial. 

O novo presidente do BC, Ilan Goldfajn, reafimou nesta segunda-feira (13) que o câmbio é flutuante, mas que o BC "poderá reduzir sua exposição cambial em determinado instrumento em ritmo compatível com o normal funcionamento do mercado, quando e se estiverem presentes as adequadas condições". 

Para analistas, Ilan deixou espaço para a volta dos leilões de swap cambial reverso, equivalente à compra futura de dólares pela autoridade monetária. 
No mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 tinha leve alta, passando de 13,705% para 13,710%, enquanto o DI para janeiro de 2021 subia de 12,590% para 12,630%. 

O CDS brasileiro, espécie de seguro contra calote, avançava 1,82%, para 359,944 pontos. 

BOLSA 

O Ibovespa chegou a subir pela manhã, mas inverteu o sinal e perdia há pouco 1,5%, aos 48.917 pontos, também reagindo ao cenário externo negativo. Segundo operadores, o vencimento de opções sobre o índice, nesta quarta-feira (15), acrescenta volatilidade aos negócios. 
As ações da Petrobras recuavam 2,66%, a R$ 8,39 (PN) e 3,69%, a R$ 10,42 (ON). Os papéis da Vale tinham queda de 2,22%, a R 11,84 (PNA) e 3,75%, a R$ 14,63 (ON). 
No setor financeiro, Itaú Unibanco PN subia 0,10%; Bradesco PN, -1,06%; Banco do Brasil ON, -1,08%; Santander unit, -1,78% e BM&FBovespa ON, -1,88%. 

EXTERIOR 

Na Bolsa de Nova York, o índice S&P 500 perdia 0,68%; o Dow Jones, -0,59% e o Nasdaq, -0,63%. 
Na Europa, a Bolsa de Londres caía 1,71%; Paris, -2,06%; Frankfurt, -1,30%; Madri, -1,92%; e Milão, -2,03%. 
Na Ásia, O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve alta de 0,31%; em Tóquio, o índice Nikkei recuou 1%.