09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O pecado capital do trabalhador!

Osvaldo Gradella Júnior
| Tempo de leitura: 2 min


Os acontecimentos da história recente que culminaram com o afastamento da presidente desvelam a ironia da relação capital-trabalho, ou melhor, burguesia-trabalhador. Talvez essa ironia tenha sido o principal erro do PT, geradora dessa intolerância assustadora, porém nada de diferentes nas relações da elite com os trabalhadores  desde sempre. Faz lembrar  a peça de teatro escrita por Moliére (dramaturgo francês do séuclo XVII) chamada “O Burguês Ridículo” que aborda  a burguesia em ascensão buscando obter títulos para ser reconhecida pela nobreza e usando o que tinham para troca: o capital.

A história é praticamente  a mesma: alguns trabalhadores, sem a formação acadêmica e educação da elite, resolve disputar o poder pelas urnas na democracia burguesa. Por esse instrumento, consegue capitanear o descontamento popular e se torna presidente. Porém, para assegurar o seu lugar conquistado nas urnas, torna-se imperioso estabelecer acordos com parcelas representativas da elite, o que compromete o compromisso com as classes trabalhadoras. Essa nova situação é sedutora e cada vez mais vai virando as costas para os trabalhadores que o elegeram e busca adentrar e ser reconhecido no circulo privilegiado dessa elite. Gerencia a política da elite com pequenas modificações para amenizar o descontentamento das classes menos favorecidas da sociedade - uma postura ambigua do ponto de vista de classe. Até aí ainda era suportável para a elite, mesmo com alguns setores descontentes. Mas o governo dos “trabalhadores” resolveu ir mais longe e se meteu naquilo que é a reserva de domínio sagrado da elite: a apropriação do dinheiro público em suas diversas mazelas e versões de corrupção.

Foi assim que cometeu seu pecado capital e imperdoável! A elite é clara: se ameaçarem nossos ganhos e nossas benesses, serão destruídos! Foi esse um dos elementos que nortearam o processo de impeachment! De resto, os poderes da república, que existem para manter os poderosos, a produção e reprodução do capitalismo e a consequente exploração dos trabalhadores, só contribuiu para dar aparência legal ao processo de destruição do governo dos “trabalhadores” que pensavam ser possível conciliar capital-trabalho. A realidade demonstrou essa impossibilidade e também a forma violenta com que as elites lidam com essa pretensão. Tal como na peça de Moliére isso fica evidente quando essa burguesia em ascensão descobre que nunca será aceita no círculo dourado da nobreza, não importa quanto capital possua. Resolve assumir o poder e para isso corta literalmente a cabeça da nobreza. Nesse processo faz alguns acordos pois afinal de contas, não eram classes opostas em relação ao poder. Em nosso caso, as classes sociais contêm em si uma contradição antagônica, ou seja, não há possibilidadse de conciliação! Essa é a ironia da história, pois as elites só se relacionam com os trabalhadores desde que os mesmo sejam subservientes aos interessses do capital, tal como o Paulinho da Força Sindical.