11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dólar fecha em queda ante real após Fed adotar postura cautelosa

Por Bruno Federowski | Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

O dólar fechou em queda ante o real nesta quarta-feira (15) ao fim de uma sessão volátil, após o Federal Reserve, banco central norte-americano, sinalizar postura mais cautelosa sobre quando pretende voltar a elevar os juros.

O dólar recuou 0,39%, a R$ 3,4665 reais na venda. A moeda norte-americana chegou a R$ 3,5019 na máxima da sessão, após a divulgação de delação premiada citando o presidente interino Michel Temer, e recuou a R$ 3,4455 na mínima do dia. O dólar futuro recuava cerca de 0,5% no final da tarde.

"O tom (do Fed) foi bastante 'dovish', bastante cauteloso. Não há por que esperar aumento de juros tão cedo", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

O Fed confirmou as expectativas de analistas e manteve os juros nesta quarta-feira, mas passou a projetar crescimento econômico mais baixo do que na projeção anterior. Além disso, indicou que vai ser menos agressivo ao elevar os juros após o fim deste ano.

Após a divulgação do comunicado, Yellen manteve o tom cauteloso em entrevista coletiva, afirmando que autoridades do banco central estão "muito incertas" sobre a trajetória de longo prazo dos juros.

Uma trajetória mais gradual de aumentos de juros nos EUA tende a favorecer ativos emergentes, que oferecem rendimentos financeiros mais elevados.

Antes da decisão do Fed, o dólar já vinha tendo uma sessão de volatilidade diante do cenário interno. A moeda chegou a subir 0,63% após a divulgação de que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou, em delação premiada, que Temer teria pedido recursos ilícitos para campanha de Grabriel Chalita (PMDB) à prefeitura de São Paulo.

A moeda norte-americana reduziu os ganhos pouco depois, porém, quando ficou aparente que parte das denúncias já eram conhecidas.

"O mercado viu a manchete e comprou com tudo, com medo de o caos político voltar. Quando viu que boa parte da notícia já era conhecida, teve que dar alguns passos para trás", afirmou o operador de um importante banco nacional.

Por outro lado, o plano do governo de colocar prazo de 20 anos na proposta que limita o aumento dos gastos públicos, maior do que o sugerido por notícias recentes, foi recebido de forma mais calorosa nas mesas de câmbio, o que levou o dólar às mínimas do dia. 

O plano determina que, por esse período, o crescimento anual dos gastos públicos seja limitado à inflação do exercício anterior. 

"(O limite do crescimento do gasto) é uma medida boa, melhor do que parecia. Agora é preciso ver como o Congresso vai lidar com isso", disse o operador da corretora Renascença Thiago Castellan Castro.