11 de julho de 2026
Nacional

"Se tivesse cometido o crime, não poderia presidir o País", diz Temer


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O presidente em exercício Michel Temer voltou ontem a rebater as acusações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de que teria participado de um esquema de propina na subsidiária da Petrobras. “Alguém que teria cometido aquele delito irresponsável que o cidadão Machado apontou, não teria até condições de presidir o País”, afirmou o peemedebista.

Machado repetiu ontem que teria tido um encontro com Temer na Base Aérea de Brasil, “provavelmente” em setembro de 2012, para tratar de captação de recursos ilícitos, cerca de R$ 1,5 milhão, para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo. A Aeronáutica, no entanto, informou que não tem registros de entrada e saída do local relativos ao ano citado.

Temer chamou a fala de Machado de “irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa” e, já no final do dia, acrescentou que não deixará a acusação “passar em branco”. Segundo interlocutores, o presidente em exercício viveu o dia de ontem com muita tensão e nervosismo.

Além de convocar a imprensa para reagir às acusações de Machado, Temer deslocou para o Planalto uma cerimônia que previamente estava prevista para acontecer no Ministério da Educação, na qual foi anunciada a expansão do Fundo do Financiamento Estudantil (Fies), programa financia cursos superiores pagos.

A agenda foi decidida na manhã de ontem. Após se reunir com alguns aliados no Palácio do Jaburu, o presidente em exercício decidiu avisar a imprensa, em cima da hora, que faria um pronunciamento no Palácio do Planalto. O cálculo foi de que a delação poderia causar prejuízos à sua governabilidade no momento em que sua equipe econômica avalia o impacto dos meios político e privado relativos ao recente anúncio das medidas econômicas que serão enviadas ao Congresso.

Segundo Machado, um esquema de propinas vigorou por cerca de dez anos na subsidiária de logística da Petrobras. É a primeira vez que Temer é associado diretamente à captação de recursos ilícitos na investigação da Lava Jato.

Autoelogios

Em seu discurso de improviso, de pouco mais de sete minutos, Temer fez autoelogios, ao salientar que as medidas adotadas pelo seu governo têm tido o apoio “da grande maioria do povo brasileiro, com apoio da quase totalidade daqueles que no Congresso nacional pensam no Brasil”. “E surge um fato leviano como esse, que embaraça, que pode embaraçar a atividade governamental”, afirmou. 

Reforçando o “seu estilo”, Temer disse que queria registrar em “alto e bom som” que nada embaraçará “o nosso desejo em fazer com que, neste período que eu esteja à frente da Presidência da República, com uma equipe econômica extraordinária, com equipe relativa às relações exteriores novamente extraordinária, um Ministério muito adequado, nada impedirá que nos continuemos a trabalhar em prol do Brasil”.

Agenda positiva

O presidente interino Michel Temer decidiu formular uma agenda positiva para tentar abafar as notícias negativas envolvendo seu nome. Temer participou, ao lado do ministro da Educação, Mendonça Filho, de cerimônia de anúncio de expansão do Fundo do Financiamento Estudantil (Fies). Também ontem, Temer se reuniu com parlamentares, evangélicos e juristas (foto).