Internauta é, acima de tudo, rápido. Tão logo se confirmou a saída de terceiro ministro com nome envolvido em corrupção e estava montado o “paredão” nas piadas virtuais. A imitação do “Big Brother Brasil” traz o quadro com os eliminados e fotos dos demais, um ao lado do outro. Perspicaz.
Num momento em que tanto de fala de “empoderamento” é mesmo compreensível que a sensação entre alguns auxiliares diretos do presidente Michel Temer seja de “emparedamento”. Eles que se cuidem porque o Brasil não aceita mais quem não cuida dele.
A vida imita a arte: assim como na atração global, em poucas semanas, já foram três os eliminados. O mais recente, como se espiou no noticiário, Henrique Eduardo Alves (que, se no “BBB” original estivesse, talvez fosse chamado pelos colegas confinados de “Riquinho” ou de “Dudu”).
O então “titular interino” do Turismo pediu demissão quinta-feira após ser sugado para dentro da Lava Jato pelo testemunho do cagueta Sérgio Machado. Alves, na delação do ex-presidente da Transpetro, teria sido beneficiário do esquema de corrupção na Petrobras.
Vale lembrar que Alves já era ministro de Dilma, mas quem responde agora por entradas e saídas é Temer. Portanto, vai para a conta dele.
Antes de Alves já haviam deixado suas pastas, igualmente por envolvimento na Lava Jato, os ministros de Temer para o Planejamento (Romero Jucá) e Fabiano Silveira (Transparência. Transparência!).
Voltando ao “BBB”: além de brincadeiras estáticas e comentários irônicos há, especialmente, um vídeo que recria a abertura do reality show, só que com ministros e outros colaboradores da linha de frente. A produção ganhou até a mesma música-tema do programa, cantada por Paulo Ricardo, cuja conhecida letra diz: “Se pudesse escolher / Entre o bem e o mal / Ser ou não ser? / Se querer é poder / tem que ir até o final / Se quiser vencer”.
Quem diria: “BBB” em pleno mês de junho. Já não é fácil aguentar o de janeiro. A grande diferença, contudo, é que no “Big Brother Brasília” até o Pedro Bial da vez pode igualmente ser eliminado. Abre o olho, Temer, que a nave louca não perdoa. Elimina.
O autor é editor executivo do JC.