08 de julho de 2026
Regional

Indústria quer atualizar os dados

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A primeira etapa do estudo foi apresentada para o sindicato que representa o setor calçadista e mostra um retrato não tão atual, avalia o diretor executivo da entidade, José Geraldo Gealazini. “Coleta de dados é muito difícil no setor calçadista. Temos poucos estudos nesse sentido. Mostra um retrato que precisamos atualizar, uma vez que o estudo terminou em 2015. Vamos investir para atualizar os dados e, então, faremos uma avaliação. Acredito que a pesquisa possa mostrar caminhos para seguirmos no futuro, revertendo um quadro negativo e reforçando aquilo que é positivo.” 

Ele admite que o setor, como os demais, atravessa uma crise. “Estamos vivendo uma crise há quatro anos. Desde 2010 o setor apresenta declínio nas vendas. O país atravessa uma turbulência no setor econômico que agravou nesse último ano. O polo local foi bastante prejudicado. Houve uma redução no quadro de empresas em Jaú. O setor encolheu 40%.” 
De acordo com ele, de 2010 a 2016 foram fechados quatro mil postos de trabalho no setor, em função do fechamento de empresas. “Hoje temos de 4.700 a cinco mil postos diretos de trabalho gerados pelo setor. Indiretamente, temos o mesmo número de empregos, são fabricantes dos componentes do calçado.” 

Na opinião dele, coletar dados no Brasil não é tarefa fácil. “Menos da metade do empresariado do setor calçadista de Jaú participou da pesquisa. É difícil. O empresário não resiste, mas não estão acostumados a fornecer dados. Não temos essa cultura no Brasil. O próprio governo do estado está fazendo um mapeamento da cadeia produtiva dos polos de Franca, Jaú e Birigui que deve ser entregue no próximo mês. A entrega do estudo já foi adiado pela dificuldade de obtenção dos dados. Aqui a maioria das empresas pequenas e não têm os dados necessários para informar.” 

Caiu a venda

Para ele, a maior dificuldade do setor é a queda no consumo. “Hoje o maior problema está no consumo. O consumo de calçado feminino caiu. Não culpamos só o custo, apesar dele ser alto. Caiu bastante a venda nesse último ano. Tivemos a entrada de produtos estrangeiros. Temos um polo no sul do país. Quando cai as exportações aumenta a oferta do produto no mercado interno. O mercado asiático é campeão mundial nas vendas para o consumidor das classes C, E e D.” 

O estudo vai mostrar onde estão as possíveis falhas do empresariado, argumenta o diretor executivo. “Mostra o retrato momentâneo, cabe a nós encontrar novos caminhos. Jaú não tem cultura exportadora. O Estado de São Paulo concentra o maior consumo. O estudo mostra que a maioria dos calçados produzidos aqui ficam no estado. “ 
Buscar novos mercados consumidores do calçado feminino inclui o Brasil, segundo Gealazini.

“A busca de novos mercados inclui o país. Temos novos mercados a serem desbravados, embora estejamos vivendo uma época recessiva. Cada empresa, de acordo com o que ela produz terá que buscar seu espaço, dentro ou fora do país.”