| Bob Sousa |
| A atriz Thais Dias interpreta Flora Eunice, personagem inspirada em mulheres negras da década de 30 |
Questões políticas, o protagonismo do negro, a “Boca do Lixo” e as produtoras brasileiras de cinema, tudo isso no contexto histórico da década de 1930, estão no espetáculo de teatro “Luz Negra”, que a Cia. Pessoal do Faroeste, de São Paulo, traz ao Teatro Municipal de Bauru nesta quinta-feira (23), em sessões gratuitas às 18h e às 21h.
Através de personagens reais, licenças poéticas e sambas inéditos, este musical retrata a atuação política, cultural e social da Frente Negra Brasileira, criada em São Paulo em 1932 e extinta pela ditadura do Estado Novo no dia 10 de novembro de 1937.
“O projeto já tem dois anos e graças à sincronicidade entre arte e realidade está sendo maravilhoso trazer essa temática ao palco, contribuindo com a discussão política atual e levando a refletir que nada justifica um golpe”, destaca Paulo Faria, que assina o texto, a dramaturgia e a direção artística da peça.
‘Criticidade’
A companhia teatral que tem 18 anos, está há 15 instalada na rua do Triunfo, Região da Luz da capital paulista, a chamada Boca do Lixo. Segundo Paulo Faria, além da atuação cultural e social nas imediações, o grupo contribui com a revitalização do local, que em seu auge foi o maior centro nacional de produtoras cinematográficas.
“Nosso objetivo é contar a história do Brasil de forma crítica por meio de diversos cenários políticos. A função da arte não é explicar tudo, mas despertar o interesse e não tem como não ver em cena nossa posição, que une política, social e arte”, reforça o diretor de teatro.
“Luz Negra” encerra a trilogia iniciada em 2012 a peça “Cine Camaleão”, seguida por “Homem Não Entra”, de 2013. Os espetáculos, que envolvem 20 atores, têm desde o início com a atriz Mel Lisboa no elenco. Agora, conciliando outra turnê e gravações para a televisão, a artista reveza a interpretação da vilã com Marisa Junqueira – e, por isso, não estará hoje em Bauru.
“Dos 10 atores no palco, oito são afrodescendentes que convidamos de coletivos negros para tratar dessa questão tão importante. A história seria outra se a Frente Negra Brasileira não tivesse sido interrompida pelo golpe de 1937. Havia um protagonismo do negro na política e isso precisa ser resgatado”, afirma Paulo.
O projeto também se estenderá ao cinema com o documentário ficcional “Luz Negra”, primeiro longa-metragem da Cia. Pessoal do Faroeste. “O filme está sendo finalizado e tem como resultado outra produção, mas algumas cenas em comum são projetadas na peça, em um diálogo forte entre teatro e cinema”.
Serviço
Espetáculo “Luz Negra”: hoje, 23/06, hoje, em duas apresentações (18h e às 21h), com entrada franca, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves (av. Nações Unidas, 8-9). Indicação: 14 anos. (14) 3235-1088.